Qualquer estratégia de internacionalização de uma pequena economia aberta terá de passar pela aposta na qualidade, no marketing e na especialização intra-sectorial.Deste modo, importa aprofundar um conjunto de “domínios de intervenção”, tais como os da “teoria da localização empresarial”, da análise das preferências dos consumidores, do aproveitamento das actividades intersticiais e da investigação no que se refere às melhores formas de adaptação do progresso tecnológico à dotação de factores.O Governo deveria criar condições para que os agentes empresariais pudessem aprofundar os ditos “domínios de intervenção“, implementando estratégias de desenvolvimento assentes na qualidade e na boa imagem dos produtos. Mas, como?Dando uma boa imagem do País e aplicando políticas de estabilização macroeconómicas responsáveis. Reformando a Administração Pública, assegurando a existência de uma Justiça rápida e eficiente, criando infraestruturas de enquadramento geradoras de externalidades positivas e assegurando a existência de mecanismos eficientes de defesa da concorrência, reforçando-se o funcionamento de um sistema de mercado dinâmico e competitivo.No caso da economia portuguesa, realizaram-se estudos que permitiram concluir que o coeficiente de intensidade capitalística constitui um dos principais condicionantes do processo de desenvolvimento das estruturas produtivas internas.Existe, por conseguinte, em Portugal um problema de stock de capital inadequado, o que, por sua vez, estaria na origem de combinações produtivas desajustadas das nossas necessidades desenvolvimentistas.A ultrapassagem deste problema terá de passar por uma evolução favorável das “intenções” de investimento, o que, por sua vez, está ligado à “componente psicológica” do investimento.Todavia, a questão das “expectativas” não pode ser reconduzida ao que se convencionou designar de “expectativas racionais”, sendo de sublinhar que existe, por vezes, muito de irracional na componente psicológica do investimento.Explicando melhor, o pressuposto da racionalidade na Teoria Económica apresenta-se, em larga medida, discutível. Por exemplo, um investidor potencial só decide racionalmente sobre a melhor forma de aplicar os seus recursos se dispuser de um mínimo de capital, sendo certo que quem disponha de 500 euros não vai fazer uma análise detalhada sobre a melhor forma de aplicar o seu capital no sistema financeiro.Se pensarmos que existem milhões de micro-agentes que estão nessa situação, então, se agregarmos os fluxos respeitantes a esses segmentos sócio-económicos, chegamos à conclusão de que uma parte substancial do comportamento das variáveis macroeconómicas não é racionalmente explicável, antes tendo que ver com aspectos de natureza psicológica.E no domínio da “componente psicológica” do investimento há, ainda, a considerar o problema da “síndrome despesista”.A “Síndrome Despesista” afecta, muito particularmente, o investimento quando se cria um quadro de “indispensabilidade de reformas estruturais” e de “rigor orçamental”.É sabido que uma economia que precisa de realizar reformas estruturais tem de passar por um período de transição, no decurso do qual se constata um acréscimo do desemprego e uma contenção da despesa. Contudo, os agentes económicos, em vez de tenderem a considerar que a referida evolução, ao propiciar uma transformação qualitativa das estruturas económicas, se apresenta positiva, optam, em regra, por uma retracção no investimento, considerando-se inevitável a recessão.Ora, essa reacção mecanicista conduz a um comportamento contraditório dos investidores, uma vez que, por um lado, exige-se a adopção de políticas de contenção da despesa e de reestruturação da Administração Pública, libertando-se mão-de-obra excedentária, mas, por outro lado, o aumento do desemprego e a contenção da despesa levam, mecanicamente, a uma quebra do investimento privado.Daí que se conclua que a melhor forma de, em certas circunstâncias, se “romper” com a “síndrome despesista” consiste em se conseguir ter um Estado credível enquanto agente transformador da economia e da sociedade.Nem mais, nem menos… Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico