Das limitações do 'Export Led Growth Model' e das teses convencionais

António Rebelo de Sousa

Economista e professor universitário

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Um “Export Led Growth Model” condiciona o desenvolvimento de uma economia à dinâmica de crescimento da economia internacional e, sobretudo, à dinâmica de crescimento dos principais parceiros comerciais.

Se, por exemplo, uma pequena economia aberta depende em 70 ou 75% do comércio com a UE, não poderá crescer significativamente se a UE estiver em recessão.

E se ela dispuser de um mercado endógeno muito limitado, poderá tentar amenizar a situação se adoptar um “Endogenous Growth Model”, mas não poderá fazer milagres.

Mas, um “Export Led Growth Model” apresenta, ainda, um outro problema.

É que ao privilegiar-se a canalização de recursos essencialmente para o SBT - Sector de Bens Transaccionáveis está-se a contribuir para a adopção preferencial do combinações produtivas capital-intensivas, não-geradoras de emprego e até, em certos casos, responsáveis pela libertação de mão-de-obra excedentária.

E, nesse caso, o SBT poderá solucionar o problema do crescimento económico – se não houver crise nos principais parceiros comerciais –, do aumento de produtividade, das Contas Externas, do progresso tecnológico, mas poderá não resolver o problema do desemprego numa economia, contribuindo até para a assimetrização sectorial e regional.

Para muitos autores, terá sido por isso mesmo que se constatou uma certa insensibilidade na década de 90 do século passado e em princípios do século XX do mercado de trabalho ao crescimento económico, que o mesmo é dizer, à famosa Lei de OKUN.

E as teses convencionais baseadas nos critérios de convergência nominal da UEM – isto é, nos critérios do défice orçamental e da Dívida Pública em relação ao PIB – também apresentam limitações.

Na célebre Primavera Árabe, a Tunísia apresentava um rácio défice orçamental/ PIB da ordem de 1% e um rácio Dívida Pública / PIB de cerca de 30%, estando o PIB a crescer 5% ao ano.

De acordo com as teses convencionais tudo estaria bem, enfim a economia em causa estaria de boa saúde. Mas, o povo veio para a rua contestar o Governo existente, exigindo uma alteração radical da situação política. Entre outras razões, porque a taxa de desemprego rondava os 30%.

Logo, algo vai mal quando, em certos casos, procuramos utilizar, tão somente, critérios de convergência nominal, esquecendo os critérios de convergência real como, por exemplo, a taxa de desemprego e o grau de assimetrização sócio-económica.

Por essa mesma razão, alguns autores – entre os quais o responsável por esta modesta prosa – são favoráveis à adopção, em certas circunstâncias, de um modelo de crescimento “a duas velocidades”, em que não só se canalizam recursos financeiros para o SBT, como também para o SBNT- Sector de Bens Não-Transaccionáveis (também designado de Economia Doméstica), envolvendo, nomeadamente, investimentos em infraestruturas, sectores intersticiais e pequenas e médias empresas, que adoptem combinações produtivas trabalho-intensivas ou de tipo intermédio.

A fim de se conciliar o crescimento económico com um certo equilíbrio sócio-económico.

Nem mais, nem menos...

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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