CPLP 30 anos: “A Guiné-Bissau não!”

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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A CPLP, Comunidade de Países de Língua Portuguesa, celebrou 30 anos em julho, e parece atravessar actualmente uma crise de meia-idade/identidade! Porquê?

Porque é um clube de pobres, carregados de ouro, porque depois da língua, a idiossincrasiazinha que nos faz reunir à volta da mesa, é a possibilidade do auto-boicote. Irresistível!

A discórdia do momento, sobe de tom, pela possibilidade de a Guiné-Equatorial assumir a presidência rotativa da CPLP, já em 2027.

Primeiro comentário, não sabiam que este dia ia chegar, a letra G, ser a próxima presidência?

Segundo comentário, ficou no imaginário português a ideia de que a Equatorial foi admitida na CPLP, enquanto prémio por ter tirado o BANIF da banca rota! Errado, não aconteceu, mas o memorando de entendimento assinado em 2014, foi tão mercantil, que até para cristãos-novos, cheirava a humilhação! E foi este fedor que ficou, e a solução Santander-Totta em 2015, só cheirou a baunilha e passou!

Terceiro comentário, contextualizador, a actual presidência, da letra G, não é da Guiné-Bissau, porque foi suspensa após o último golpe de Estado, do 26 de Novembro. Timor-Leste, assumiu esta sede vacante lusófono, demonstrando prontidão para continuar, no biénio supostamente Equatorial, de 2027/28.

Este mês de celebração, tem produzido muitas entrevistas e soundbites, com destaque para o angolano Almeida Henriques, politólogo, que disse à Lusa, que “é a Guiné-Bissau que não tem condições para integrar a CPLP, e não a Guiné-Equatorial”! Porquê? “Por uma questão de verticalidade…” e depois não se ouve mais nada!

Acrescentar que a Junta Militar em Bissau, já veio dizer que nas próximas eleições, os bissau-guineenses decidirão se querem continuar na CPLP, ou não. E cá está a nossa idiossincrasia: o que é que isto significa? É garante de que as eleições de Novembro se vão realizar? Serão eleições/referendo, ou eleições/plebiscito?

Eis que surge na sexta 3, a secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Monteiro Jardim, ao lado do Presidente português, a dizer: “Nós continuamos como nove Estados-membros, portanto, somos nove!”

E fossemos oito, não seria mais fácil. Mas aqui chegados, ser português acarreta responsabilidades. Os “humanistas” respeitam o alfabeto! Chegámos à Índia e voltámos, porque confiámos tudo quando nada tínhamos.

Porquê negar esta prova de confiança à Guiné-Equatorial? Será que não vão querer provar que são tão bons como os “oito magníficos”?

E outra coisa, portugueses, geográfica e geopoliticamente, somos africanos, mediterrânicos e filhos de imigrantes e de emigrantes. Tenham juízo, também já fomos os underdogs, que é coisa abaixo de cão!

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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