As estatísticas dizem que as fortunas aumentaram, mas para a maioria das pessoas, a realidade é bem diferente. Os salários perdem poder de compra, a capacidade de poupança diminui e garantir alguma estabilidade tornou-se cada vez mais difícil para quem vive do seu trabalho.
A crise da habitação é o exemplo mais evidente desta desigualdade. A casa é uma necessidade básica. Para uns representa a uma oportunidade de multiplicar lucros, para outros, significa rendas incomportáveis, endividamento, insegurança e a impossibilidade de comprar casa ou permanecer na cidade onde nasceram.
É um medo silencioso, mas profundamente real: o medo de uma nova subida da renda, de um contrato que não será renovado, de um salário que fica aquém do custo de vida. É a ansiedade de quem trabalha, cumpre as suas obrigações e, ainda assim, não consegue construir um futuro seguro para si e para os seus filhos.
A concentração da riqueza, as políticas fiscais e as opções políticas influenciam diretamente as oportunidades e as condições de vida da população. O exemplo mais visível é a habitação. Transformaram um direito humano num casino financeiro. Na maioria das cidades, arranjar casa deixou de ser o porto seguro, é uma fonte de ansiedade das famílias.
Urge exigir reformas para que devolvam a dignidade ao futuro de todos com salários dignos, habitação acessível, combater a especulação e reforçar a oferta pública.
É o futuro dos nossos jovens que está em causa.