Branson e Katseli e as 'pegging practices'

António Rebelo de Sousa

Economista e professor universitário

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O modelo apresentado por Branson e Katseli apresentou-se original por duas razões fundamentais:

- em primeiro lugar, porque a abordagem do equilíbrio parcial é preferida ao modelo de equilíbrio geral de autores como FLANDERS e HELPMAN.

- em segundo lugar, porque são escolhidas variáveis e ponderações que procuram “isolar” os objectivos de política económica das flutuações ocorridas em “países terceiros”.

Assim, o autores apontam no sentido da escolha de variáveis e de ponderações que dizem respeito aos principais parceiros comerciais, considerando-se diversos parâmetros relacionados com a escolha óptima das ponderações , tendo em vista a obtenção de uma taxa de câmbio real (“efectiva”) do cabaz de moedas. De acordo com o modelo de Branson e Katseli, procura-se analisar o comportamento das taxas de câmbio em diferentes economias pertencentes a uma mesma “ zona monetária”, aonde é suposto existir uma articulação de políticas monetárias. As pegging practices, entendidas numa perspectiva de ligação a um “cabaz” de paridades, teriam como finalidade três objectivos principais, no plano da política comercial, a saber:

1 - um maior equilíbrio da Balança Comercial (ou, numa perspectiva mais ampla, da Balança Básica de Pagamentos ou do que se convencionou designar de Balança do Operações Não Monetárias);

2 - a não deterioração dos termos de troca, evitando-se um “ciclo infernal” de inflação-desvalorização-inflação;

3 - a obtenção de um rácio adequado ao preço de bens Transaccionáveis em relação aos bens não Transaccionáveis, por forma a viabilizar um processo de crescimento sustentado.

Com base na definição de um conjunto de variáveis, Branson e Katseli chegaram a uma equação que iguala a variação da taxa de câmbio do país considerado, deduzida do diferencial de custos entre esse mesmo país e um dado parceiro comercial, ao somatório ponderado dos diferenciais de custos para os diversos parceiros comerciais, entrando-se em linha de conta com a própria variação cambial das moedas em que todas as variações são expressas.

Os autores procuraram aplicar o modelo às experiências ocorridas em Portugal, Espanha e Grécia, sendo certo que todos estes países evoluíram para o que podemos designar de “basket pegs”, apresentando várias características comuns.

Em síntese, afigura-se possível afirmar que as experiências nestes três países, no decurso da década de 70, podem ser sub-divididas em três períodos:

- um primeiro, de meados de 1971 a meados de 1975, em que Portugal e Espanha mantiveram, aproximadamente, as suas paridades em relação ao Marco alemão, valorizando-se, significativamente, em relação ao dólar americano, enquanto que o dracma manteve uma paridade em relação ao dólar americano, afastando-se em relação ao Marco;

- um segundo, de meados de 1975 ao terceiro trimestre de 1977, em que todos os três países experimentaram substanciais depreciações das respectivas paridades em relação aos principais parceiros comerciais:

- um terceiro, a partir de finais de 1977, em que todos os três países tentaram manter estáveis as respectivas paridades com as restantes moedas europeias.

Duas conclusões fundamentais emergem do modelo de Branson e de Katseli:

- a necessidade de ligar a taxa de câmbio de um dado país às paridades dos principais parceiros comerciais;

- a indispensabilidade de se caminhar no sentido de uma efectiva estabilidade cambial, no quadro de uma “zona monetária” que deverá, em termos tendenciais, coincidir com a área integradora dos principais parceiros comerciais.

A exigência de estabilidade cambial apresenta-se, também, como algo de essencial para os PVD’s - Países em Vias de Desenvolvimento, constituindo um pressuposto da criação de condições propiciadoras da convertibilidade da moeda.

E a convertibilidade da moeda constitui um pressuposto da confiança dos agentes económicos e da obtenção de investimento alógeno, indispensável ao “esforço mínimo crítico”, numa primeira fase, e à obtenção do “shortage point” “a la Ranis e Fei” e do crescimento sustentado, em fases subsequentes.

Nem mais, nem menos….

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