Temos vivido o primeiro semestre de 2026 entre tempestades com impactos que desconhecíamos, chuvas fora de tempo, temperaturas imprevisíveis e, sobretudo, com uma incerteza que, até há pouco, desconhecíamos.Os líderes mundiais andam, há décadas, a realizar sucessivas cimeiras para debate sobre alterações climáticas, suas causas e consequências, e, sobretudo, como as evitar ou mitigar.Pedindo aos países para adoptarem acções urgentes a fim de alterar o curso das mudanças climáticas. É preciso ir mais longe e saber que mundo queremos construir. Mais desenvolvido e mais igualitário ou perpetuando as desigualdades? Mais livre, mas que permita um exercício da soberania à escala mundial?A Conferência do Rio de Janeiro de 1992 gerou enormes expectativas. Mais de 30 anos volvidos, a urgência das decisões aumentou, os efeitos da não-decisão tornaram-se evidentes aos olhos de todos. Na última década quatro mil milhões de pessoas sofreram com desastres relacionados com o clima.As tempestades violentas e fora de época, as inundações de dimensões nunca antes vistas, incêndios florestais de proporções devastadoras. Há, por isso, que encontrar novas respostas para novos problemas.À globalização da economia, dos mercados e da finança não se acrescentou a necessária consequência. A governação à escala global. Pelo contrário, as instituições internacionais parecem enfraquecer-se, as lideranças mundiais assumem, com demasiada frequência, vocações hegemónicas e instala-se um crescente sentimento de tensão. Sendo que as questões climáticas desconhecem o conceito de fronteira política.Podem, por isso, as soluções ser encontradas país a país, território a território? Quando os problemas são globais não se imporá que a humanidade encontre uma solução global?Confrontados com os problemas com que hoje estamos não deveríamos considerar a existência de “bens do domínio público colectivo da Humanidade “? Bens de que todos teríamos de suportar os custos na proporção da riqueza detida e dos danos crescentes e futuros que causamos. Poderei eu continuar a andar de carro porque o meu vizinho espera décadas pelo rendimento incerto da sua floresta que capta o carbono que eu emito? Pode uma parte da população viver com a comodidade do aquecimento à distância de um clique, porque 30% da população, no caso português, vive sem os recursos necessários para pagar o seu próprio aquecimento? Há uma questão climática urgente. É verdade. E há um modelo económico, e um quadro jurídico-político internacional que a realidade demonstrou estar esgotado. Talvez ainda mais grave, um modelo que conduziu uma parte significativa da Humanidade a níveis de bem-estar nunca antes alcançados e que pode conduzir-nos, a todos, ao desaparecimento.