“A vacinação ao longo da vida
deve tornar-se a nova norma social
de um estilo de vida saudável,
a par de uma alimentação
saudável, da prática adequada
de exercício físico e de não fumar.”
A frase consta do artigo
“Life-course immunization as a gateway to health”,
de Roy K. Philip, Katie Attwell,
Thomas Breuer, Alberta Di Pasquale
e Pier Luigi Lopalco, publicado na revista
Expert Review of Vaccines, em 2018..
No passado dia 7 de outubro, foram divulgadas as principais conclusões do estudo Barreiras da Vacinação em Portugal, realizado junto de 1500 adultos, dos quais quase metade tinha pelo menos uma comorbilidade. O estudo foi promovido pelo MOVA, Movimento Doentes pela Vacinação, criado em 2017 por iniciativa da RESPIRA, associação portuguesa de pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica e outras doenças respiratórias crónicas.
Trata-se de uma iniciativa fundamental para conhecer as dúvidas da população adulta, fundamentar intervenções e monitorizar a evolução dessas dúvidas ao longo do tempo.
Em relação ao Programa Nacional de Vacinação (PNV), quase dois terços dos inquiridos desconheciam que este já incluía vacinas para adultos, metade não sabia quais eram as recomendadas para a sua idade ou condição e mais de 90% ignoravam a existência de vacinas para adultos fora do programa. Todas as dúvidas são legítimas e estes dados são essenciais para promover o esclarecimento e reforçar a confiança.
As vacinas autorizadas são fabricadas segundo rigorosos padrões de qualidade e não há vacinas malfeitas ou com problemas de segurança. Como qualquer medicamento, podem causar efeitos adversos, geralmente ligeiros e transitórios, sendo os graves extremamente raros. Na União Europeia (UE), este processo envolve a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, de European Medicines Agency), a Comissão Europeia e as autoridades nacionais competentes.
O facto de uma vacina autorizada na UE não estar incluída no PNV não significa, por si só, que seja prejudicial a nível individual. A inclusão no programa depende de uma avaliação baseada em critérios de saúde pública, que considera, entre outros aspetos, a carga de doença prevenível, os grupos populacionais mais beneficiados, a disponibilidade e o custo da vacina.
Em Portugal todas as vacinas são importadas e na introdução de vacinas no PNV, os critérios de equidade, que visam dar mais a quem mais precisa, são determinantes. O PNV nasceu em 1965, centrado nas crianças, e foi um estrondoso sucesso. A vacinação ao longo da vida pretende alargar esses benefícios a todas as idades, prevenindo a doença e contribuindo para a autonomia das pessoas e para a sustentabilidade dos serviços de saúde.
Esclareça todas as suas dúvidas. Felizmente, a vacinação já não é apenas para as crianças: a proteção deve acompanhar-nos ao longo da vida!