A sustentabilidade do trabalho

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A preocupação pela sustentabilidade é crescente, principalmente em áreas como o ambiente e a economia. No entanto, este tema também é relevante em relação ao trabalho e às pessoas. Avaliar se estamos a satisfazer as nossas necessidades atuais sem comprometer o futuro, equilibrando desenvolvimento das organizações, da economia, do ambiente e da comunidade em que estão inseridas.

No trabalho é fulcral saber se estamos a ter uma utilização responsável dos recursos. Sendo que, neste caso, o recurso mais importante são as pessoas. Estas são uma área de negócio transversal a todos os setores. Existindo uma crise ou uma carência deste recurso, todas as organizações são naturalmente afetadas. Este facto já começa a ser notório com as dificuldades crescentes no recrutamento e seleção, na existência de maior oferta do que procura em algumas áreas, que leva a uma dificuldade na retenção de talentos.

Segundo dados recentes da Pordata, Portugal é o segundo Estado-membro mais envelhecido da União Europeia (UE) e o país com idade ativa menos escolarizada. Entre 2001 e 2026 foi o 6.º país com um envelhecimento mais rápido, o que antecipa a tendência para os próximos anos. Embora seja um dos países com menor poder de compra, é dos que teve maior aumento do preço da habitação no passado recente. Estes são alguns dos indicadores sociais importantes para analisar a sustentabilidade do trabalho.

A adaptação da demografia da nossa população ativa, com o natural envelhecimento, a falta de mão de obra nas variadas funções (de mais a menos técnicas, de mais a menos qualificadas) e a necessidade cada vez maior de subir salários baixos e médios, ou seja, produzir de forma mais eficiente são reais desafios para quem trabalha na área da saúde das organizações. A acrescentar, a cada vez mais equilibrada presença da mulher no mundo corporativo, com os seus desafios e exigências. Em Portugal, existem mais mulheres que homens em idade ativa e, em média, elas têm mais qualificações do que eles. No entanto, tendencialmente o trabalho parcial é liderado pelas mulheres e o trabalho a tempo inteiro pelos homens.

Além das desigualdades salariais e de oportunidades que é chocante em 2026, acresce as necessidades de outro tipo de respostas ao nível da saúde e dos benefícios. A menstruação, a gravidez, o pós-parto, a peri-menopausa e a menopausa fazem parte do ciclo de vida da mulher, mas que interferem diretamente com a produtividade, com a carreira e com a diversidade de oportunidades.

A análise da demografia nas organizações é essencial para a adaptação das respostas das áreas de suporte, nomeadamente da saúde. Contudo, é necessário que esta leitura seja acompanhada pelas políticas públicas, que incentive as organizações a adaptarem-se e a serem mais sustentáveis. Quando assim for, ganhamos todos, pessoas, organizações e sociedade.

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