A onda Trump

Jaime Nogueira Pinto

Politólogo e escritor

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Desta vez foi na Colômbia. Numa segunda volta muito renhida, com grande participação eleitoral, Abelardo de la Espriela, um estreante político da direita radical, bateu, por curta margem, Ivan Cepeda, o candidato da esquerda radical.

Há analistas que integram esta vitória na “onda” ou na “vaga” Trump.

Como sabemos, há em relação a Trump sentimentos extremos, geralmente de ódio cego ou rejeição visceral, mas também de adesão acrítica. Quanto a mim, confesso-me um trumpista crítico, que também os há: gosto do que Trump tem feito pelos valores do nacionalismo conservador e sobretudo do seu combate aos delírios wokistas impostos ao povo por um punhado de “esclarecidos”; gosto também que Trump tenha introduzido na política externa americana um realismo necessário e da equipa que reuniu – JD Vance, um político com pensamento político, Marco Rubio, um excelente secretário de Estado, e, no Tesouro, Scott Bensen, um financeiro experiente.

Quanto às guerras de Trump é já outra coisa: se a operação na Venezuela para extrair Maduro e a mulher, com a cumplicidade da direcção política chavista, foi um sucesso militar e político, já o ataque ao Irão não.

Seja como for, a “vaga Trump” tem vindo a banhar as Américas, onde o facto de os Estados Unidos terem à sua frente uma Administração nacionalista e conservadora, cujo líder vai declarando a solidariedade para com os candidatos próximos das suas ideias, parece contar para o sucesso das direitas.

Historicamente, as Américas a sul do Rio Grande têm uma conhecida relação de amor-ódio com os Estados Unidos. Porém, ao que tudo indica, na conjuntura histórica actual, em que a polarização direita-esquerda está radicalizada, o factor Trump, longe de funcionar como um activo tóxico, tem sido decisivo para as direitas.

Quando José António Kast, um católico nacional-conservador, ganhou a presidência do Chile em Dezembro de 2025, derrotando a coligação esquerdista apoiada por Gabriel Boric, os países da região governados à direita passaram a ser oito: Rodrigo Paz na Bolívia, Santiago Pena no Paraguai, Daniel Noboa no Equador, Javier Milei na Argentina, Luis Abinader na República Dominicana, José Raul Mulino no Panamá, e Nayib Bukele em El Salvador. A estes junta-se agora a Colômbia, com de la Espriela, e o Peru, com Keiko Fujimori.

Todos eles têm características próprias e diferenças; o que é normal porque a Direita, sendo nacionalista, procura adaptar os seus valores e princípios à História e à Cultura de cada país.

Esta “vaga de direita” nas Américas sucede a uma “vaga de esquerda” e responde ao descontentamento das populações com os governos no poder.

Na Europa, a situação é bem diferente: os partidos nacionalistas, embora partilhem com a direita americana valores de identidade, liberdade e anti-wokismo, são mais cautelosos quanto ao trumpismo; há casos de proclamada diferença, como o Rassemblement National, de adesão crítica, como os Fratelli d’Italia e a AFD, ou de identidade, como os ingleses do Reform de Farage.

De qualquer modo, não restam dúvidas de que Trump, mesmo com todos os seus excessos verbais ou por causa deles, tem sido uma força realista e dominadora na ordem internacional.

Basta ver a fúria das esquerdas perante o fenómeno, para perceber o que significa. Mas há, na direita, quem não perceba isso e prefira ater-se à linguagem pouco polida e demasiadamente livre do Presidente norte-americano, aos seus modos demasiadamente incorrectos e ao seu estilo desconcertantemente popular.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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