A mentira voa e a verdade manca

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"A mentira voa e a verdade manca atrás dela; de modo que, quando os homens finalmente se desiludem, já é tarde demais; a brincadeira acabou e a história já surtiu efeito – tal como alguém que pensa numa resposta espirituosa quando o assunto já mudou ou a companhia já dispersou; ou como um médico que descobre o remédio infalível depois que o paciente morreu”, disse, um dia, Taylor Swift.

E foi Vito Andolini quem cunhou a lei segundo a qual “a quantidade de energia necessária para refutar uma mentira é muito maior do que a necessária para produzi-la”.

Em campanhas eleitorais essas verdades são particularmente notadas: em 2018, custou muito mais energia ao candidato presidencial brasileiro Fernando Haddad desmentir que iria oferecer biberões em forma de pénis para combater a homofobia do que ao autor da (doentia) aldrabice produzi-la. A mentira da extrema-direita voou, a verdade do centro-esquerda mancou atrás dela.

Em 2022, foi a vez de Lula da Silva ganhar ainda mais brancos na barba grisalha ao ter de negar repetidamente que iria fechar igrejas e templos caso fosse eleito do que ao mentiroso bolsonarista, provavelmente um jovem internauta imberbe, inventar a notícia.

Já em 2026, André Janones, um deputado lulista que não olha a meios pela eleição do atual presidente, liderou aquilo a que a imprensa chamou “janonismo cultural”, isto é, impulsionou uma onda de falsidades de esquerda equiparável às de direita. Através dele ou do seu exército, espalhou-se a ilusão de que Flávio Bolsonaro, uma vez eleito, removeria Nossa Senhora Aparecida do santo estatuto de padroeira do Brasil para agradar aos evangélicos. A cada desmentido, Flávio alimentava o algoritmo contra si.

E o campo do Partido dos Trabalhadores também forjou a ideia de que o filho de Jair Bolsonaro acabará com programas sociais como o “Farmácia popular” e o “Minha casa, minha vida” se chegar ao Planalto. O tempo de antena do candidato do Partido Liberal perdeu preciosos minutos a dizer que não, que não é assim.

A extrema-direita, entretanto, não perdeu o jeito e já espalhou que as organizações criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital manifestaram apoio a Lula, entre outras pérolas que se o atual presidente se der ao trabalho de desmentir vai perder muito mais energia do que a que custou ao opositor inventá-la, conforme a frase de Taylor Swift e a lei de Vito Andolini.

Mas não, claro que a lei não foi cunhada por Vito Andolini: esse é o nome original da personagem de Mario Puzzo interpretada por Marlon Brando e Robert de Niro nos filmes da saga O Padrinho. “O princípio de Brandolini”, eis o nome correto, é da autoria de Alberto Brandolini, um hábil programador de computadores e estudioso dos algoritmos da internet do século XXI.

E obviamente não foi a cantora pop-country Taylor Swift a criadora da frase que inicia este texto e sim Jonathan Swift, o escritor anglo-irlandês do século XVIII.

No entanto, terá demorado muito mais tempo ao caro leitor verificar esses disparates do texto do que ao autor dele produzi-los.

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