Há imagens que ficam para sempre na vida de cada um de nós. Na segunda-feira, 29 de junho, com os Clérigos iluminados de um azul Babell, tive a honra de encerrar o festival literário que mobilizou a cidade do Porto, que, durante vários dias, esteve no centro da literatura do mundo. Com a sala a céu aberto esgotada à frente do que sou, tentei convocar fantasmas, memórias e resgatar futuro. Inesquecível.."Há também momentos em que o encontro a si – que procura os livros que o alteram, as peças de teatro que lhe coloquem dilemas, quadros que o façam pensar... Vale mesmo a pena esta viagem.".Há momentos em que as pessoas parecem abrir os olhos apenas para o que não interessa. Há momentos em que parecem apenas interessadas naquilo que já conhecem. Há momentos em que apenas aplaudem os que oferecem opiniões iguais às suas. Há momentos em que as pessoas não parecem ter curiosidade por novas viagens, por novas comidas, por novas canções, livros, quadros. Há momentos em que as pessoas apenas querem o que não as perturbe, o que não as chateie, o que apenas as divirta ou apazigue.Mas há também momentos em que encontramos quem não se importa de ser inquietado, surpreendido, virado do avesso. Há também momentos em que o encontro a si – que procura os livros que o alteram, as peças de teatro que lhe coloquem dilemas, quadros que o façam pensar, opiniões que o obriguem a uma pergunta que antes não lhe ocorreria perguntar. Vale mesmo a pena esta viagem.. A escrita é glorificada pela capacidade de iluminar sombras e despertar pedras. Mas a qualidade de quem escreve ou de quem lê não está apenas no que diz ou pensa, mas no que esconde. Ou no que mostra sem mostrar, no que entreabre sem desvendar, no esforço a que obriga quem lê, escreve, diz e ouve.