Todos os adjetivos se gastaram quando o alvo foi o secretário-geral da NATO. Só esta semana, li nos jornais do mundo que Mark Rutte é lacaio, pau-mandado, servil, capacho, marionete, adulador, palhaço, bajulador e a vergonha da Europa.Nos últimos dois anos, o holandês, conhecido por andar de bicicleta e usar um Saab utilitário comprado em segunda mão, aguentou calado todas as humilhações de uma elite política, diplomática e mediática pela sua subserviência a Donald Trump..Calou-se quando o presidente americano ameaçou estados-membros da NATO, arrepiou o mundo com os seus elogios pegajosos e atribuiu a Trump todo o crédito pela modernização da NATO e pela revolução em curso na Europa, que jamais se faria sem a sábia e musculada intervenção de Washington – logo, os europeus só tinham de lhe agradecer tão sábio empurrão.Pois foi este homem sem qualidades quem emergiu como grande vencedor na cimeira que reuniu na Turquia os Estados-membros da Aliança Atlântica. A questão que deixo é então simples: se no seu lugar estivesse alguém que se levasse mesmo a sério, alguém que estivesse preocupado com o seu próprio ego e a opinião dos seus pares nas mesas de gente culta e inteligente, o mundo estaria mais seguro?."Poderá Rutte ficar para a história como o homem que, a partir da sua própria humilhação, conseguiu salvar a geração dos nossos filhos de uma guerra anunciada?".Ou foi a sua calculada subserviência que livrou (para já) o mundo de um impensável cisma que nos deixaria expostos a muito mais ameaças?Poderá Rutte ficar para a história como o homem que, a partir da sua própria humilhação, conseguiu salvar a geração dos nossos filhos de uma guerra anunciada?