Leio as entrevistas de Ruben Alves. E vejo-o a responder às perguntas nas televisões.
Fala como se fosse uma estrela, o que na verdade é. O seu último filme Santo António – O Casamenteiro de Lisboa foi um sucesso, mais de 150 mil espetadores assistiram ao filme em várias salas do país. Ainda assim, a muitíssima distância da também sua A Gaiola Dourada, que bateu todos os recordes de público, um extraordinário fenómeno popular.
A sua estória de vida é boa de ser ouvida. Nascido em Paris, filho de uma porteira e de um pedreiro, Ruben é um exemplo pelo que conseguiu e merece ser aplaudido por isso.
Mas num tempo de profundo relativismo, em que a medida das coisas é subvertida pelo número de seguidores, pelos livros vendidos, audiência televisiva, ou a quantidade de povo que compra um disco ou vai a um filme, é importante distinguir artistas de vendedores.
Ruben Alves é excelente no que faz, mas o que faz não é cinema. Olhamo-lo e parece um artista da cabeça aos pés, mas o que faz não é arte. Responde às perguntas, como se os seus filmes fossem obras-primas e ele um farol, mas os seus filmes são pobres. Este Santo António consegue transformar atores magníficos em bonecos de sitcom, chega a ser embaraçosa a miséria do que vemos.
Custa-me dizer mal, mas gosto ainda menos quando me vendem gato por lebre. O homem é um talento a inventar o que o povo gosta e consome, mas não o tratem como se fosse a derradeira Coca-Cola no deserto do cinema português. É uma falta de respeito para os verdadeiros criadores.