Não é verdade que Portugal tenha apanhado o comboio da Europa na ascensão dos populismos de extrema-direita. Reconheço que o Chega tem feito um impressionante caminho eleitoral, em pouco tempo André Ventura equiparou-se, aproximou-se ou até ultrapassou camaradas neofascistas. Pode e deve estar orgulhoso de o ter feito. Ainda ontem recebia alemães, franceses, italianos, polacos e gregos tatuados de raça pura, e agora já almoça e janta na mesma mesa dos grandes e tem direito à mesma alcatra e a molhar a língua no mesmo Pétrus bebido apenas entre primus inter pares. Parabéns, caro André. Reconheço o seu talento, capacidade e inteligência.
No entanto, não estamos lá. É que também nesta aventura revolucionária não acompanhamos a velocidade do progresso global… apesar de parecer o contrário. Repare nas caras dos que representam as cúpulas dos partidos extremistas europeus. Têm um ar simpático, civilizado, cosmopolita. Podiam ser meus amigos, são parecidos com pessoas de quem eu gosto. Se não soubesse que eram racistas e amorais seria capaz de me apaixonar por Meloni, de beber um copo com Bardella, de cantar Smiths num Karaoke em Berlim com Alice Weidel ou Siegmund e até convidaria Abascal para fazer de Chanquete numa sequela de Verão Azul.
Um dia acontecerá em Portugal, um dia não os distinguiremos, mas não é para já. Nos próximos anos não teremos dificuldade em reconhecê-los mesmo antes de abrirem a boca. No parlamento, na rua e nas redes sociais identificamo-los sem qualquer dificuldade.