A Figura do Dia: Quero os animais de volta ao circo

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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 Tenho saudades dos animais do circo. Dos leões e dos tigres, dos camelos e macacos, dos elefantes e hipopótamos, mais os rinocerontes, ursos e zebras nas suas mágicas habilidades que nos emocionavam em natais que deixaram de ser como eram. Tenho saudades dos domadores, do velho Mariani a enfeitiçar tigres da Malásia, do Faquir Marajá com as suas serpentes e jiboias a servirem de colar, do Victor Hugo Cardinalli enrolado com o Rei Leão, do cheiro a areia e a merda na pista, do coração a bater mais forte quando passávamos pelos carros do circo na estrada e imaginávamos que animal selvagem estaria ali. Seria o Dumbo? Para onde caminhavam os saltimbancos? Poderíamos visitar o acampamento? Dar comida aos bichos? Fazer amizades? 

"Tenho saudades dos domadores, do velho Mariani a enfeitiçar tigres da Malásia, do Faquir Marajá com as suas serpentes e jiboias a servirem de colar, do Victor Hugo Cardinalli enrolado com o Rei Leão, (...)"
"Tenho saudades dos domadores, do velho Mariani a enfeitiçar tigres da Malásia, do Faquir Marajá com as suas serpentes e jiboias a servirem de colar, do Victor Hugo Cardinalli enrolado com o Rei Leão, (...)"Pedrto Correia

Os circos perderam parte da sua magia. Agora há demasiados contorcionistas e bolas e palhaços parecidos uns com os outros, mais os trapezistas com rede e as espadas luminosas para enganar crianças que deixaram de saber como é o rugido de um leão. Sim, a exploração dos animais, compreendo e sou sensível. Podem insultar-me, mas tenho saudades de um tempo com um bocadinho de sal, sem tanta hipocrisia e tanta moral desajustada. Tenho gatos e adoro-os, mas quero cantar o “atirei o pão ao gato”. Chamar velhos aos velhos, não seniores ou idosos. Quando morrer quero que digam que morri, não que faleci. Se for de cancro, foi de cancro, não de doença prolongada. Devolvam-me o picante.

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