A Figura do Dia. Proença e Jesus

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Jorge Jesus é único. Genuinamente ele próprio e inimitável, o exemplo máximo de que não há uma receita perfeita para o sucesso que é, desde o início da Humanidade, o resultado do talento, da sorte e da capacidade de ser o que o tempo precisa em cada momento.

Ninguém dava nada por Jesus até ao convite de Luís Filipe Vieira, honra lhe seja feita. Era um bronco, um arruaceiro da Reboleira, não ficava bem em nenhuma mesa… agora toda a gente o deseja, mesmo que tenha de o ver comer cabeça de garoupa.

"Pedro Proença, na apresentação de Jorge Jesus como selecionador nacional, foi corajoso no que ambiciona: 'Viemos para vencer.'”
"Pedro Proença, na apresentação de Jorge Jesus como selecionador nacional, foi corajoso no que ambiciona: 'Viemos para vencer.'” FOTO: Manuel de Almeida / Lusa

Tornou-se o mais titulado no Benfica e um ídolo no Brasil, onde é considerado o melhor de sempre do clube com mais adeptos do mundo, o Flamengo.

Na Arábia Saudita ganhou quase tudo e vai agora terminar a carreira no lugar que verdadeiramente ambicionava, a seleção portuguesa. Vai correr bem. Tem 71 anos, mas mais cabelo do que eu e um fôlego que lhe permite nas corridas de aquecimento andar à frente dos jogadores como se continuasse a ser o puto do bairro pronto a usar a mala da escola para servir de baliza na terra batida da Amadora.

"Ninguém dava nada por Jesus até ao convite de Luís Filipe Vieira, honra lhe seja feita. Era um bronco, um arruaceiro da Reboleira, não ficava bem em nenhuma mesa… agora toda a gente o deseja, mesmo que tenha de o ver comer cabeça de garoupa."

Pedro Proença, na apresentação, foi corajoso no que ambiciona: “Viemos para vencer.” A partir de agora jogamos para ser os melhores do mundo, sem frases defensivas e caldos de galinha. Quem está precisa de acreditar. Temos condições extraordinárias, mas continuamos aprisionados a uma parte do que somos: tímidos, envergonhados, receosos, cobardes.

Este é o combate assumido por Pedro Proença: ser os herdeiros dos que partiram à conquista do mundo e, de uma vez por todas, matarmos o “medo de existir” de que falava José Gil.

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