A Figura do Dia. Pedro Frazão e o ‘Opus Dei’

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Incomoda-me o ensurdecedor silêncio do Opus Dei em relação a Pedro Frazão, seu supranumerário.

É que a Obra de Deus, prelatura fundada nas palavras e ações de Josemaría Escrivá, canonizado Santo por João Paulo II, é teologicamente conservadora e elitista, mas nada nos seus ensinamentos se baseia na divisão entre seres humanos.

"Frazão veicula informações falsas, é misógino, defende a expulsão em massa de imigrantes, baba-se com o patriotismo e a fé de Trump, apoia supremacistas, ameaça perseguir jornalistas e é ordinário e boçal (...)."

Escrivá de Balaguer escreveu: “Não és apenas um cidadão desta ou daquela nação; és um cidadão do mundo inteiro, com obrigações e responsabilidades para com toda a humanidade”.

Conheço vários membros do Opus Dei. Sou amigo de alguns e por eles ponho as mãos no fogo. É gente que dedicou o melhor das suas vidas a Deus, a uma prática de transcendência e aos outros.

Nunca pertenceria à Obra por ver o mundo, a religião e a fé de uma outra maneira, mas a diversidade é uma parte da força das instituições.

Frazão veicula informações falsas, é misógino, defende a expulsão em massa de imigrantes, baba-se com o patriotismo e a fé de Trump, apoia supremacistas, ameaça perseguir jornalistas e é ordinário e boçal – impossível esquecer os seus dois dedinhos numa brincadeira rasca à porta do gabinete de uma deputada negra.

"O que pedirá a Deus quando reza? Que o ajude a limpar Portugal de bengalis, negros e ciganos? Dos indigentes que contaminam as nossas ruas com o seu bafo a miséria? Ninguém na Obra se incomoda?"
"O que pedirá a Deus quando reza? Que o ajude a limpar Portugal de bengalis, negros e ciganos? Dos indigentes que contaminam as nossas ruas com o seu bafo a miséria? Ninguém na Obra se incomoda?" FOTO: Facebook / Pedro Frazão

No entanto, vai à missa todos os dias, deu aulas no Colégio Planalto e é supranumerário do Opus Dei.

Que Deus habita o coração deste homem? Não será certamente o mesmo de que falou Escrivá.

O que pedirá a Deus quando reza? Que o ajude a limpar Portugal de bengalis, negros e ciganos? Dos indigentes que contaminam as nossas ruas com o seu bafo a miséria? Ninguém na Obra se incomoda?

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