Incomoda-me o ensurdecedor silêncio do Opus Dei em relação a Pedro Frazão, seu supranumerário.
É que a Obra de Deus, prelatura fundada nas palavras e ações de Josemaría Escrivá, canonizado Santo por João Paulo II, é teologicamente conservadora e elitista, mas nada nos seus ensinamentos se baseia na divisão entre seres humanos.
Escrivá de Balaguer escreveu: “Não és apenas um cidadão desta ou daquela nação; és um cidadão do mundo inteiro, com obrigações e responsabilidades para com toda a humanidade”.
Conheço vários membros do Opus Dei. Sou amigo de alguns e por eles ponho as mãos no fogo. É gente que dedicou o melhor das suas vidas a Deus, a uma prática de transcendência e aos outros.
Nunca pertenceria à Obra por ver o mundo, a religião e a fé de uma outra maneira, mas a diversidade é uma parte da força das instituições.
Frazão veicula informações falsas, é misógino, defende a expulsão em massa de imigrantes, baba-se com o patriotismo e a fé de Trump, apoia supremacistas, ameaça perseguir jornalistas e é ordinário e boçal – impossível esquecer os seus dois dedinhos numa brincadeira rasca à porta do gabinete de uma deputada negra.
No entanto, vai à missa todos os dias, deu aulas no Colégio Planalto e é supranumerário do Opus Dei.
Que Deus habita o coração deste homem? Não será certamente o mesmo de que falou Escrivá.
O que pedirá a Deus quando reza? Que o ajude a limpar Portugal de bengalis, negros e ciganos? Dos indigentes que contaminam as nossas ruas com o seu bafo a miséria? Ninguém na Obra se incomoda?