Sempre que Pedro Passos Coelho fala o mundo não pula e avança. Normalmente, acontece o contrário, o mundo político trava e fica na expectativa. É um inegável poder, o de desencadear reações com o que diz ou com o que prefere deixar em silêncio. Poucas pessoas foram capazes de tal “magistratura” de influência, talvez Cavaco nos anos em que viveu no Possolo, depois de sair de São Bento e antes de entrar em Belém. Não o conheço bem, mas tenho apreço por Passos Coelho. É um homem singular, obsessivo e providencialista. Acredita que tem um destino e que o vai cumprir, o de ser o artífice de uma verdadeira mudança no país, uma revolução que altere os paradigmas da economia e da sociedade. Uma revolução que está em marcha alavancada por uma maioria de toda a direita, que incluirá André Ventura e o seu bando.. Tem feito caminho e mantém-se à tona. Por estas horas falou sobre a errada nomeação do MAI e revelou a sua impaciência com o tempo que o Governo está a gastar para provar algum ímpeto reformista.Passos Coelho é uma permanente “dor de burro” para o primeiro-ministro. Mas há qualquer coisa que nele não bate certo - no que diz, no modo como o diz, revela uma negatividade que não era a sua marca quando conquistou o poder. Podíamos discutir as ideias, mas existia sonho e futuro. Hoje, sempre que abre a boca é para iluminar as sombras que vê, nunca a luz que deseja.Passos é um Darth Vader quando antes usava uma espada de Jedi. Faz toda a diferença, pois sabemos como o filme termina. É utópico desejar que Passos Coelho regresse à luz?