Sei que acreditas que a vida te abandonou. Que acreditas estar farto ou farta. Que já não aguentas ver políticos, que estás por tudo, que te estás a borrifar para a democracia, para os bem-nascidos, privilegiados. Acredita que sei o que sentes.
Passei por uma parte do mesmo, passei por mais do que imaginas. A vida não me foi sempre doce. Mas olha, não deixes de acreditar que existe o bem e o mal. Não percas de vista a capacidade que tens de reconhecer onde está o mal. Onde está a violência, o ódio, os que te condenarão a cair na sombra mais profunda onde não há caminho de volta. Os que falam em nome de Deus, que dizem que vão à missa, mas depois… não acredito que não percebas o que estou a dizer, mas depois estão tão cheios de ódio.
Rejeita o ódio. É disso que se trata. Acreditar em ti, no que tens dentro. No futuro, apesar de tudo. Nos teus filhos. Não queiras que vivam na floresta do ódio.
Tens visto as notícias? Gente violenta, estimulada para fazer o mal, porque agora parece que tudo é permitido, gente que insulta, gente que se vende por um bocadinho de atenção, gente que nos grita no trânsito e na vida?Lês os comentários de muitos dos que escrevem comentários? A ordinarice, o ressentimento?
Ainda ontem um homem, com os meus filhos pequenos ao meu lado, ainda ontem lhes perguntou se são como o pai que defende os pretos e os maricas. Não está fácil, sabes? Não queiras pertencer a esse mar. Tu não és más pessoa, não vás para esse mar de onde já não se regressa.