O bastonário dos veterinários assinou um comunicado em que proíbe que qualquer médico de animais possa tratar pessoas que acreditam ser gatos, cavalos, cães, raposas ou cágados.Pedro Fabrica, doutorando em Comunicação Clínica, conquistou a Ordem com o maior número de votos de sempre e gosta de se antecipar às tendências. Em Portugal, as modas chegam tarde, mas acabam por nos bater ao portão. É possível que os therians estejam aí a rebentar. Já há vídeos malucos, miúdos em escolas que miam e ladram, e psicólogos que começaram, timidamente, a ler acerca do assunto para que as respostas sejam fluídas e façam sentido..Ainda ninguém marcou consulta no veterinário, ao contrário do que sucedeu em Londres, Paris, Estocolmo ou Oslo. Nessas capitais do primeiro mundo já se fazem corridas entre jovens que utilizam os pés e as mãos como se fossem patas – provas de velocidade e de salto ou até de resistência. Há também os que comem ração, usam desparasitante ou têm orgasmos antecipando o dia em que perderão a virgindade com alguém da “sua” espécie.."O bastonário dos veterinários assinou um comunicado em que proíbe que qualquer médico de animais possa tratar pessoas que acreditam ser gatos, cavalos, cães, raposas ou cágados.".É possível que se esteja a rir, mas o tema é sério. Um sintoma da profunda dificuldade de encontrar um sentido, da obsessão de chocar o mundo para marcar uma posição de diferença e ser popular, da profunda solidão que é a marca de água de um número inusitado de adolescentes e jovens adultos que dependem, mais do que nunca, de psicólogos e psiquiatras.A insegurança perante o futuro, a necessidade absoluta de ser notado e aceite, o medo que tal não aconteça. Eis uma tempestade perfeita.