Quando vemos o primeiro-ministro, os ministros e secretários de Estado, os líderes da oposição e até os aprendizes de feiticeiro, estão normalmente acompanhados por gente atrás de si.
O que há 30 anos era um sinal de força, de união e confiança – a ideia de que um líder ou dirigente é mais forte se estiver rodeado de gente – é hoje símbolo de um profundo anacronismo.
Regra geral, é profundamente deprimente ver homens e mulheres a dizer que sim com a cabeça ou a esforçarem-se para passar uma imagem inteligente e atenta por saberem que as câmaras têm a luzinha vermelha.
É transversal a todos os partidos políticos. Um pouco como a obrigatoriedade de os “betos” calçarem sapatos com berloques e de os comunistas recusarem ostentar qualquer marca que possa indicar a ignomínia de terem tendências burguesas.
Já na norma de que um porta-voz deve estar rodeado por todos os lados todos parecem concordar. Meus amigos, o efeito é o contrário do que se pretende. É patético de tão passadista e a prova de que a classe política insiste em falar para um mundo que não existe, que não é reconhecível pela maioria das pessoas que vota.
Se estivermos atentos e formos papa-notícias televisivas percebemos que há caras que se repetem. Ou por ficarem bem na imagem ou por desejarem ter, nos seus sonhos psicanalíticos, a fama do 'Emplastro' ou uma hipótese de conseguirem qualquer coisa mais – o que é legítimo, mas precisa de ser doseado.
Deixem-se disso. Cheira a artifício, a mentira, a encenação. E distrai da mensagem, o que nem sempre é mau.