Não era minha intenção regressar a Cristiano Ronaldo, mas se o faço é para ajudar a descodificar a estranheza.
O comunicado assinado por CR7 é tão inusitado que se torna obrigatório reposicionar o olhar no que foi feito, escrito e dito. Se não o fizermos temos de partir do princípio de que o astro português é absolutamente idiota, o que está muito longe de ser verdade. Julga-se homérico, um semideus no Olimpo, mas é tudo menos parvo e está aconselhado por gente que sabe tudo sobre estratégia.
O que está em causa não é a sua continuidade na seleção. Pode até continuar a ser convocado e, se quisermos radicalizar ou homenagear os surrealistas, admitir que, na última homenagem, em 2030, fará dupla com o filho, mas não é isto que o move em primeiro lugar.
Cristiano não quer em primeiro lugar a cabeça do treinador, mas sim a de Pedro Proença. Interessa-lhe desgastar o presidente da FPF e ocupar-lhe o lugar quando terminar a sua carreira de futebolista – ou colocar alguém da sua estrita confiança.
Cristiano assume, no comunicado, a importância de Tiago Craveiro, seu braço-direito para toda a estratégia empresarial e antigo braço-direito de Fernando Gomes na FPF.
Tiago é um homem brilhante, experiente e influente no mundo do futebol – foi ele quem ajudou a inventar a Liga das Nações, quando se sentou no conselho de administração da UEFA. E foi ele quem esteve por trás da oposição a Proença nas últimas eleições na FPF.
Por isso, vá lá… isto não tem a ver com golos ou aquecimentos, é poder puro e duro.