A Figura do Dia: O problema do PCP

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Sou atacado todos os dias e os mais próximos sabem que não têm de me dar um abraço ou perguntar se estou bem. É mesmo assim, as regras do jogo ou lá o que lhe chamam, temos de estar preparados e seguir em frente porque amanhã há mais. Se me influenciasse com ameaças ou me fragilizasse com insultos, as artérias já estariam entupidas e a alma mais do que encomendada a um criador com fome de me ter à sua beira.

Os ataques são da extrema-direita, mas também de comunistas. Uns dias mais uns, noutros o contrário. É pena pois um PCP mais forte poderia contribuir para um pluralismo que se está a perder, há temas que só eles trazem e defendem, fazem falta. Infelizmente transformaram-se numa seita fechada ao mundo, com um pensamento estagnado no tempo e uma agressividade nas redes sociais que os condena a ser parecidos ao Chega. Por vezes, distingo-os pela fotografia e pelo perfil. Noutras ocasiões, por alguma palavra solta que os identifica.

“Infelizmente transformaram-se numa seita fechada ao mundo, com um pensamento estagnado no tempo e uma agressividade nas redes sociais que os condena a ser parecidos ao Chega. “
“Infelizmente transformaram-se numa seita fechada ao mundo, com um pensamento estagnado no tempo e uma agressividade nas redes sociais que os condena a ser parecidos ao Chega. “

Uma tristeza a retórica de ressentimento e sua tendência para o insulto boçal que os afasta do que deveria distinguir um projeto revolucionário. A questão não é apenas a falta de novas palavras, é a ausência de sonho, de ideias que contaminem positivamente as pessoas, que as façam acreditar, que as mobilizem em torno de um objetivo comum que seja luminoso e não sombrio, não feito de ódio, de ataques pessoais e guerrilha de bílis, mas sim de novas ideias, mobilização e otimismo. O comunismo sem a beleza de uma ideia de felicidade, sem o idealismo revolucionário, sem o romantismo de um amanhã que canta, é apenas deprimente.  

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