A figura do dia. O jornal da minha vida

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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O Diário de Notícias junta hoje, durante todo o dia, dezenas de pessoas com o objetivo de pensar sobre o futuro. É uma iniciativa importante, de combate e resistência à ideia de que o jornalismo se faz sentado. Que o jornalismo não é intervenção, provocação, influência e vida. Estarão presentes pessoas com olhares diferentes, com ideias por vezes opostas, mas disponíveis para ouvir e criar pontes de entendimento ou novas discordâncias. A isso se chama democracia e liberdade.

Rita Chantre/Global Imagens
Rita Chantre/Global Imagens

Este jornal é parte importante da minha vida. Ainda nem sequer sabia das coisas do amor e da morte quando fui convidado para aqui escrever. O DN ficava no velho edifício da Avenida da Liberdade, a redação perdia-se de vista como nos filmes americanos e os velhos jornalistas metiam respeito. Todos os dias eram uma novidade, uma hipótese de aprender, uma oportunidade de paraíso ou de abismo. Existia um lugar onde almoçavam centenas de pessoas, tinha orgulho em comer ali, como os adultos. Não tinha onde cair morto, mas era rico de sonhos. Desejava devorar o mundo, subir à montanha mais alta, entrevistar papas, senhores da guerra e atrizes de Hollywood. Recordo uma manhã em que chorei, fechado numa casa de banho, por Mário Bettencourt Resendes, mítico diretor, me ter apoiado numa polémica com o então primeiro-ministro, Cavaco Silva.

O Diário de Notícias é um grande jornal, uma grande marca, continua a sê-lo. É também isso que se celebra no dia de hoje. A história, mas também o futuro. A memória, mas sobretudo as saudades do que ainda não foi vivido.

Diário de Notícias
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