Há poucas coisas que me comovam tanto como as lágrimas que choramos ao ouvir histórias. A capacidade de as contar, de as escrever, de as ouvir, é apenas nossa, nenhum outro animal tem a inteligência para imaginar.
Contamos e ouvimos contar desde o primeiro alvor da Humanidade: inventámos lendas, fizemos desenhos, criámos cemitérios, deuses e o bem e o mal. Depois escrevemos romances, fomos parteiros de personagens, montámos palcos e vendemos bilhetes para que a verdade fosse contada a partir da ficção.
Nestas últimas semanas, os ingleses têm chorado a morte de um carvalho com 1200 anos. Na vila de Edwinstowe, no coração de Sherwood, a romaria é diária. É que a árvore serviu de abrigo ao herói do povo, Robin dos Bosques, e à sua gente.
A notícia teve honras de abertura da BBC, foi lamentada pelo rei e por parlamentares de todas as tendências. Não era apenas a morte de uma árvore, mas também um aviso para a preservação da memória.
Um dos motivos anunciados para o triste desenlace fora o excesso de presença de turistas nas últimas décadas, uma presença que ajudou ao desgaste da terra que “alimentava” as raízes.
A força das estórias é inigualável, continua a sê-lo. O mundo chorou a morte da árvore do Robin dos Bosques como se ele tivesse existido – o que é tudo menos linear – e como se aquela tivesse mesmo sido a sua casa, o que é impossível já que, nos séculos XII ou XIII, a árvore teria metade do tamanho. Mas o que importa isso?
A história de Robin dos Bosques é verdadeira… mesmo que ele não tenha existido. Disso não tenho a mínima dúvida.