Estive entre os milhares que ontem celebraram os Iron Maiden. Bruce Dickinson e Steve Harris sobreviveram a tudo e mantêm-se aparentemente vivos e de boa saúde, o que, confesso, me impressiona tendo em conta que eu, com menos 20 anos, como cenouras ao pequeno-almoço e deixei todos os vícios, incluindo os enchidos e o pastel de nata. Ouvir The Number of the Beast ou Wasted Years e vê-los no palco é um hino à utopia.."Ser metaleiro é recusar que tudo se resume a ter, a ganhar, a ser popular. Não há comunidade mais segura, cuidadora e simpática – se alguém cai é levantado, se alguém se desequilibra é amparado...".Como sou careca, o espetáculo foi também uma prova de humildade. Assim que se abriram as portas do Estádio da Luz, uma multidão de cabelos acomodou-se o melhor que pôde e deu o que tinha. No final, já não assisti, mas alguns fiéis certamente que tiveram de ser retirados em ombros ou arrastados para a botija de oxigénio. Um espetáculo.Ser metaleiro não é para todos e, nesta época de tanta gente indiferente, é bonito vê-los felizes e protegidos no seu próprio mundo, como se o tempo tivesse parado e ali não pudessem entrar guerras, ódios, invejas e más palavras..Ser metaleiro é recusar que tudo se resume a ter, a ganhar, a ser popular. Não há comunidade mais segura, cuidadora e simpática – se alguém cai é levantado, se alguém se desequilibra é amparado, se uma velhota precisar de ajuda para atravessar a rua são os primeiros a perguntar o que é preciso, se uma mulher for atacada eles saltam para a defender.Quando passarem por si, cabeludos e tatuados, lembre-se destas linhas. Não os receie, abrace-os apenas e verá então como lhe respondem.