Manuel Telles Bastos já não é o mais jovem cavaleiro tauromáquico da dinastia Ribeiro Telles. Nas praças de touros é um dos mais conceituados e celebrou há uns dias, em Estremoz, os 20 anos da sua profissionalização.
Desde o seu tetravô, cavaleiro amador e ganadeiro de finais do século XIX, passaram cinco gerações de domínio e influência no mundo dos touros bravos, dos cavalos, das bandarilhas, capotes e jaquetas.
A família Ribeiro Telles é o equivalente na aristocracia portuguesa ao que representa os Chen para a arraia miúda – uns tresandam a carne do lombo e a tradição, os outros andam de pé descalço e ranho no nariz, mas o princípio da hereditariedade é o mesmo.
Telles Bastos respondeu a duas ou três perguntas de uma encantada repórter da plataforma TauroNews. O cenário não podia ser mais perfeito, os dois de perfil, enquadrados por uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.
A corrida acabara, o sucesso fora enorme e Manuel estava exausto e feliz: “Esvaziei-me a tourear. Vou daqui roto, está a ver? Só tenho de agradecer a Deus Nosso Senhor e a Nossa Senhora pela força que me dão.”
Procurei mais e encontrei. Numa outra entrevista feita pela mesma jovem repórter, julgo que na herdade da família, Manuel disse assim: “Portugal é um país de muita fé, não é o socialismo que nos vai tirar isso. Nossa Senhora prometeu que o coração dela vai triunfar, tenho a certeza de que isso vai ser à direita e não à esquerda.”
Há definitivamente um mundo que me é difícil de entender. Como trocar duas ideias seguidas com esta gente? Está a ver?