Caro primeiro-ministro, reza a lenda que Nixon, já depois de Watergate, quando se estava a despedir da Casa Branca travou o passo na fotografia de Kennedy e desabafou: “Quando olham para ti, veem aquilo que gostariam de ser, mas quando olham para mim, veem aquilo que são.” É uma frase inventada por Oliver Stone a partir de uma inquestionável verdade: os líderes que ficam nunca são os que se comportam como a maioria, mas os que para a maioria são um modelo inatingível..O princípio foi posto em causa pelos que acreditam que os ventos mudaram. Já não é importante o que se pensa, mas a forma como se reage aos estímulos de cada dia, a cada uma das danças que a pista mediática vai exigindo. Se a malta está virada para o tango, dança-se o tango, mas amanhã pode ser bolero, ballet de pontas, breakdance ou pasodoble. É indiferente qual a dança em que se acredita, o importante é bater o pé ao compasso das audiências.."Porque o senhor não é a maioria, é alguém que, para ser respeitado, precisa de parecer ser o que nós não somos. Não votamos em quem nos acompanha nas sardinhadas, mas nos que zelam pelo nosso colesterol.".Estou a maçá-lo com o que já antecipa. É compreensível que tenha atravessado três vezes um oceano para ir à bola – o que eu daria para sentir o frio na barriga, o nervoso miudinho, o coração a acelerar com a possibilidade de um golo numa baliza ou na outra. E a maioria dos portugueses empenharia os faqueiros para ter estado na América, precisamente os mesmos que não lhe perdoam por ter ido.Porque o senhor não é a maioria, é alguém que, para ser respeitado, precisa de parecer ser o que nós não somos. Não votamos em quem nos acompanha nas sardinhadas, mas nos que zelam pelo nosso colesterol.