Anna tinha 4 anos e morreu em Itália. A difteria foi impossível de travar, porque os pais recusaram vaciná-la com a crença de que as vacinas provocavam autismo.
Não é um caso único. Um pouco por todo o lado, na Europa e Estados Unidos, ressurgiu o sarampo e há dezenas de mortes reportadas pela OMS. Em Berlim, Madrid, Paris ou Praga somam-se casos e perdas por meningite, tosse convulsa ou tétano por falta de vacinação.
Estamos a navegar por outros mares. Continuamos a falar da velha superioridade da democracia, com a sua indiscutível liberdade de expressão, mas começa a ser urgente mudarmos o paradigma e enfrentarmos, de uma vez por todas, com coragem, o que a vida nos propõe.
Se quem acredita na democracia, e no que construímos de mais sólido, não enfrentar os que desejam destruir os seus alicerces, pagaremos a cobardia com língua de palmo.
É importante criminalizar pessoas que, ao abrigo da liberdade de expressão, incendeiam o mundo com mentiras cientificamente comprováveis – são responsáveis morais pela morte de crianças concretas, de inocentes que não têm como se proteger.
Começa a ser difícil explicar a razão para que não se adapte a legislação a um novo tempo. Em Portugal, há gente que deveria estar sentada em frente a um juiz a responder pelas suas opiniões.
Se eu chamar palhaço a alguém posso ser preso, mas Gustavo Santos, a mais popular figura entre os negacionistas, pode continuar a fazer campanha contra a vacinação colocando em risco crianças que não têm como se defender.
Que justiça é essa? Que democracia é esta?