A Figura do Dia: Força, companheiro Vasco

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Nunca na minha vida pensei, mesmo nos meus mais profundos e insanos delírios, que um dia veria os setores mais conservadores da sociedade portuguesa defenderem com gutural e comovente paixão o General Vasco Gonçalves.

Pensava que já tinha visto tudo: um porco a andar de bicicleta, um restaurante em que a especialidade é sushi de leitão, homens e mulheres que fazem amor com árvores e galhos de murta, telemóveis a substituir famílias, pessoas a enriquecer com dinheiro que não é dinheiro ou Donald Trump rebentar com a América, mas isto?

"Pode mexer-se em tudo, mas não numa lei feita há mais de 50 anos pelo 'General do PREC', pelo 'camarada Vasco', pelo grande 'Timoneiro', pelo 'Vasco, coração de ferro'?"

Não estava preparado para ver Paulo Núncio, André Ventura e toda a bancada do PSD a defender a “Lei da Manifestação” consagrada em agosto de 1974, antes mesmo do nascimento da Constituição, pela implacável e leninista mão do gonçalvismo. A memória do “companheiro Vasco” não merecia tal aleivosia.

Então o mais detestado de todos os revolucionários, o mais perseguido e ostracizado, o que toda a direita acusava de estar por trás de todos os golpes, de todas as ameaças, de todos os riscos, é agora usado como escudo protetor contra as acampadas?

"Então o mais detestado de todos os revolucionários, o mais perseguido e ostracizado, o que toda a direita acusava de estar por trás de todos os golpes, de todas as ameaças, de todos os riscos, é agora usado como escudo protetor contra as acampadas?"
"Então o mais detestado de todos os revolucionários, o mais perseguido e ostracizado, o que toda a direita acusava de estar por trás de todos os golpes, de todas as ameaças, de todos os riscos, é agora usado como escudo protetor contra as acampadas?" FOTO: Arquivo DN

Pode mexer-se em tudo, mas não numa lei feita há mais de 50 anos pelo “General do PREC”, pelo “camarada Vasco”, pelo grande “Timoneiro”, pelo “Vasco, coração de ferro”?

O que se seguirá? A proposta de um busto perto do Patriarcado? Ou o PSD arriscará uma Reforma Agrária musculada ou um plano agressivo de nacionalizações que contemple tudo o que mexa?

Não percebo nada disto, expliquem-me como se eu fosse uma criança.