Há momentos em que o nosso provincianismo é delicioso, mas há outros em que envergonha, embaraça e cansa. Por estes dias, o grande acontecimento cultural em Londres foi a exibição no National Theatre, de “Catarina ou a Beleza de Matar Fascistas”, escrita e encenada por Tiago Rodrigues. Foi a primeira vez que se ouviu português no teatro fundado, nas margens do Tamisa, por Lawrence Olivier e que atores nacionais pisaram o palco do Dorfman, onde Daniel Day Lewis, Judi Dench, Ralph Fiennes ou Benedict Cumberbatch se tornaram icónicos.
A peça esteve uma semana em cena e os bilhetes esgotaram em menos de uma hora. No final de cada um dos dias houve ovações de vários minutos e Financial Times, Guardian, Independent e Times elogiaram o dramaturgo com um consenso nunca visto – mesmo Paula Rego e Saramago nunca conquistaram tal unanimidade. Ao contrário de Portugal, em que intelectuais de direita atacaram a peça sem sequer a ter visto, Tiago Rodrigues foi incensado precisamente pela capacidade de provocar o pensamento através
É uma enorme honra para o país, mas as televisões preferem entrar em direto para cobrir um incêndio num armazém da Cova da Piedade, discutir o bando do Rolex, eternizar discussões politiqueiras ou gastar dezenas de horas de antena a discorrer sobre Cristiano Ronaldo ou qualquer outro assunto que cheire a napalm. É demais, é demasiadamente mau, a chafarica tornou-se infrequentável, mas devo ser eu que estou a mais.