Jorge Jesus tornará pública a convocatória para a seleção nacional. Não sei se Cristiano será convocado, mas sei que só não o será se pedir dispensa ou se se despedir.
É natural e até compreensível que tal aconteça, o homem já não é bem deste mundo, se estivéssemos na Grécia Clássica já teria o estatuto de semideus e lugar na mesa de honra do Olimpo. Não queiramos que gente de carne e osso faça o que apenas cabe às divindades: decidir sobre o destino de um titã.
Só ele poderá fechar a porta a si próprio, o que é complexo de ser imaginado.
Cristiano tem um amor próprio inquebrável, foi essa a sua arma, a confiança para ser mais, para ser tudo, para se transcender e voar até ao topo de uma colina inacessível a mim ou a si.
Vemo-lo de tronco nu e o seu corpo é o de um amestrador de músculos, vemo-lo a aproximar-se dos 1000 golos e desejamos que o faça com um pontapé de bicicleta que simbolize o seu prodígio, vemo-lo transformado num poderoso homem de negócios e tal enormidade é a prova de que é um escolhido.
Volto à seleção nacional para, condoído pela minha soberba, apelar a Cristiano Ronaldo, filho de Zeus e Atalanta, semideus no Olimpo, para que diga ao mundo que já chega. Que já não dá mais. Ou que esta será a sua última dança, o último jogo com a camisola de Portugal.
Seria perfeito se o fizesse. Acompanharia a decisão de Messi, que anunciou a despedida da Argentina, e sairia por cima, como é próprio de um herói.
Cristiano não me leves a mal, mas deixa os miúdos jogar à vontade, não lhes leves a bola.