A Figura do Dia. Até os chatos atacam Luís Neves

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Tenho coisas mais importantes na vida do que defender o ministro da Administração Interna. Luís Neves está habituado às trincheiras e a vitória será sua até à inevitável capitulação final. Como as coisas estão, é inevitável que o ministro não resista ao garrote que começa a sangrar o primeiro-ministro.

No entanto, o homem não tem tido sorte. Já não lhe bastava o atrelado, o tanque que era piscina e as declarações do seu antecessor na PJ, teve agora de aguentar o impacto de Ricardo Carrilho, seu secretário-geral no MAI.

"Tendo em conta que Neves é ministro há 200 dias, Carrilho enviou-lhe mais de três 'e-mails' por dia, incluindo sábados e domingos. Um 'bully' digital ou, na melhor das hipóteses, um chato insuportável."
"Tendo em conta que Neves é ministro há 200 dias, Carrilho enviou-lhe mais de três 'e-mails' por dia, incluindo sábados e domingos. Um 'bully' digital ou, na melhor das hipóteses, um chato insuportável." FOTO: Paulo Spranger

Passo ao lado das razões que Carrilho terá – e da legitimidade de acreditar que está a defender a República –, mas o seu modo de fazer as coisas, a sua urgência em atacar o ministro e o seu desajustado protagonismo provoca-me as maiores dúvidas. Até podia ser uma boa notícia, a prova real de que existe no sistema uma regulação que nos protege dos excessos dos governantes, mas tenho alguma dificuldade em acreditar na bondade do desejo.

Há um pormenor sem importância que me arrepiou da ponta dos pés aos poucos cabelos que me restam… o detalhe de o ex-secretário-geral ter enviado 700 e-mails ao ministro, a maior parte sem resposta.

"Se alguém me enviasse três 'e-mails' por dia acusava-o de assédio e despedia-o à primeira oportunidade, o que o ministro compreensivelmente fez."

Tendo em conta que Neves é ministro há 200 dias, Carrilho enviou-lhe mais de três e-mails por dia, incluindo sábados e domingos. Um bully digital ou, na melhor das hipóteses, um chato insuportável.

Se alguém me enviasse três e-mails por dia acusava-o de assédio e despedia-o à primeira oportunidade, o que o ministro compreensivelmente fez.

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