O cartaz empunhado por Al Green roubou o palco a Trump na noite em que não se celebrou o Estado da União. Nunca tal se vira no Capitólio, uma mensagem empunhada com orgulho por alguém que sabe o que foi crescer segregado por gente como o atual presidente americano.A frase é esmagadora e fez-se silêncio à sua volta: “As pessoas negras não são macacos.” Um silêncio interrompido pela polícia que o obrigou a sair, a ele e à frase.. Green não é um homem qualquer. É um herói improvável. Congressista democrata que vai no 11.º mandato. Texano e filho de uma mãe que trabalhou toda a vida na limpeza das casas dos brancos, a embalar e a limpar a fralda dos filhos dos brancos e a suportar toda uma vida sem que as patroas lhe perguntassem sequer como estava o seu mais velho que até parecia um pretinho mais esperto do que os outros. E filho de um pai ajudante de mecânico, que por ser escuro nunca pôde ser mais do que isso. O pai e a mãe de Al Green quase se convenceram de que eram macacos. No bairro de negros onde viviam, na Louisiana, na infância do rapaz que um dia alcançaria a honra de ter um doutoramento em leis… mesmo não tendo podido tirar a licenciatura… os homens e as mulheres estavam condenados a ser o que os senhores desejassem, o que lhes aprouvesse.Por isso, o que aconteceu não foi suficientemente valorizado. Porque o mundo está louco de maldade e de pessoas amorais, mas há sempre alguém que nos obriga a não aceitar desistir sem luta.