A Figura do Dia. Apanhar um táxi no Aeroporto de Lisboa

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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A última vez que apanhei um táxi no Aeroporto de Lisboa receei não chegar a casa. Quando lhe disse para onde era a corrida, o homem começou a insultar-me quando já estávamos na estrada.

Resgatou a voz da garganta e escarrou todas as letras do mais rasca prontuário de palavras da língua portuguesa. Respondi a medo, o tipo estava tatuado com caveiras e os braços bombados do ferro do ginásio ou da vida.

"Nos últimos dias, a PSP realizou mais uma operação de fiscalização. Foram  inspecionados 100 táxis e detetadas 67 infrações. A maioria dos 'taxistas' não cumpriam as regras, uma percentagem absurda e pornográfica."
"Nos últimos dias, a PSP realizou mais uma operação de fiscalização. Foram inspecionados 100 táxis e detetadas 67 infrações. A maioria dos 'taxistas' não cumpriam as regras, uma percentagem absurda e pornográfica." FOTO: Leonardo Negrão

Todos sabemos que não é possível entrar num táxi quando saímos de um avião. Os taxistas sérios não estacionam ali – até por não lhes ser permitido pelos donos da quinta. Os que ali estão parecem saídos do Prison Break – agressivos, manhosos, ameaçadores, sombrios.

São eles a porta de entrada para a maioria dos estrangeiros que chega a Portugal, um tema que, também por isso, é ou deveria ser político. Um cartão de visita que prejudica o país e que não é tratado com a devida importância.

Nos últimos dias, a PSP realizou mais uma operação de fiscalização. Foram inspecionados 100 táxis e detetadas 67 infrações. A maioria dos 'taxistas' não cumpriam as regras, uma percentagem absurda e pornográfica.

"A última vez que apanhei um táxi no Aeroporto de Lisboa receei não chegar a casa. Quando lhe disse para onde era a corrida, o homem começou a insultar-me quando já estávamos na estrada."

Ou porque os taxímetros estavam “quitados” para que a bandeirada caísse mais depressa ou por não terem habilitações ou por estarem alcoolizados ou por o carro não ter ido à inspeção ou por terem écrans que simulavam contadores.

Não se pode acusá-los de falta de criatividade, o que num tempo de falta de imaginação não se pode desvalorizar. Que o Estado os premeie com nota artística, mas que resolva o problema de uma vez por todas.

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