A Figura do Dia. António José Seguro

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Os índices de confiança no Presidente da República mantêm-no acima de qualquer protagonista político. Poucos se atreverão a acusá-lo de não ser sério, ponderado, independente e de confiança.

Nestes primeiros seis meses de mandato imprimiu uma diferença para todos os seus antecessores – por um lado, uma proximidade afetiva no terreno, por outro, uma distância institucional com os outros poderes e a comunicação social.

"Mais do que nunca precisamos de acreditar. Precisamos que Seguro não seja apenas um pêndulo, uma balança fiável – que o seja, que mantenha o que o distingue, mas que acrescente esperança, juventude, ciência, progresso."
"Mais do que nunca precisamos de acreditar. Precisamos que Seguro não seja apenas um pêndulo, uma balança fiável – que o seja, que mantenha o que o distingue, mas que acrescente esperança, juventude, ciência, progresso." FOTO: Paulo Spranger

É próximo e distante, afetivo e racional, contundente e silencioso. E fá-lo sem parecer paradoxal, contraditório e errante.

No entanto, falta-lhe qualquer coisa. É como aquelas relações em que parecemos estar perante a melhor pessoa para formar família, a que os nossos pais preferem para ser mãe ou pai dos filhos, mas que não nos leva à loucura de todos os apaixonados.

Mais do que nunca precisamos de acreditar. Precisamos que Seguro não seja apenas um pêndulo, uma balança fiável – que o seja, que mantenha o que o distingue, mas que acrescente esperança, juventude, ciência, progresso.

"É próximo e distante, afetivo e racional, contundente e silencioso. E fá-lo sem parecer paradoxal, contraditório e errante."

A democraciaprecisa de provas de vida. Precisa de ideias que reforcem que o “mal” pode ser combatido com novas palavras, protagonistas, sonhos. Que Belém possa patrocinar, em todos os distritos, clubes de pensamento, de ideias, estados gerais que tenham como objetivo não a conquista do poder, mas a descoberta de novos navegadores, de novas formas de intervenção que coloquem em causa o cinismo habitual de elites com mais passado do que futuro.

António José Seguro pode ser mais, fazer mais, incluir a paixão sem perder a razão.

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