A Figura do Dia: Alhos e Bugalho

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Gosto de Sebastião Bugalho. Não é possível criticar a falta de qualidade, de cultura e imaginação da classe política e depois torcer o nariz a alguém com o seu perfil. É culto, desempoeirado, comunicador, rápido, provocador e aberto ao mundo. Só posso desejar que lhe corra bem a viagem. Por outro lado, é excessivamente apaixonado por si próprio, apressado, impulsivo e sem sentido de humor – quando é ele próprio o alvo.

"É culto, desempoeirado, comunicador, rápido, provocador e aberto ao mundo. Só posso desejar que lhe corra bem a viagem."
"É culto, desempoeirado, comunicador, rápido, provocador e aberto ao mundo. Só posso desejar que lhe corra bem a viagem."

Tem tempo para mudar, precisa de o fazer. Aos 30 anos continua a ter mais futuro do que passado, mas a sua juventude não lhe garante uma via aberta para um dia ser vitoriado em Roma. Não se pode dar ao luxo de ter muito mais deslizes como o desta sua eleição falhada para a vice-presidência do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu. Há mais de vinte anos que a maior bancada no Parlamento Europeu contava com um português na vice-presidência, lugar agora ocupado por Eszter Lakos, eurodeputada húngara.

Sebastião perdeu a eleição por um ou dois motivos que podem não ter a ver com as suas qualidades ou defeitos. Existia um consenso acerca da importância de escolher uma mulher para respeitar o princípio paritário e era politicamente relevante dar um sinal de confiança à Hungria, mas o problema é a acumulação de desgaste por motivos que poderia controlar se conseguisse domesticar a sua tendência para provar o quanto é especial, o quanto o futuro passa por ele. Pode até passar e o país precisa de gente atrevida, inteligente e com capacidade. Não tenho é a certeza se Sebastião Bugalho conseguirá matar a fome que o inebria.

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