A escala do ‘INS Sudarshini’ em Portugal: um encontro entre duas civilizações marítimas

Puneet R. Kundal

Embaixador da Índia em Portugal

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O navio-escola Indiano INS Sudarshini fará escala no Porto de Lisboa: a sua segunda paragem em Portugal após ter visitado Ponta Delgada, Açores. Nesta viagem, transporta não só 50 jovens aprendizes, como também o legado de uma história marítima de 5000 anos, e visita agora uma nação cuja própria história marítima e grandeza marítima dispensam apresentações.

O nome deste navio de três mastros significa “visão auspiciosa” e recebe o nome da meia-irmã de Buda. Entrou oficialmente ao serviço em janeiro de 2012, tendo sido construído pelo Goa Shipyard Limited, na cidade de Vasco da Gama, Goa, e irá ancorar não muito longe do local de onde Vasco da Gama partiu e onde está sepultado.

O INS Sudarshini partiu de Kochi em janeiro de 2026 no âmbito da Lokayan-26, uma expedição transoceânica de dez meses e 22.000 milhas náuticas que o levará a 18 portos em 13 países. Já fez escala em Omã, no Egito e em Malta, participou no festival de grandes veleiros Escale à Sète, em França, e representou a Índia no Sail Boston 2026 e na International Naval Review, que assinalou o 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos. É verdadeiramente um “embaixador flutuante”, construído tanto para a diplomacia como para a formação, fazendo uso da linguagem universal da navegação à vela para abrir portas que os navios de guerra e os telegramas diplomáticos não conseguem abrir.

"A visita do 'INS Sudarshini' reafirma a relação histórica entre a Índia e Portugal e recorda-nos que o oceano une muito mais do que divide.”
"A visita do 'INS Sudarshini' reafirma a relação histórica entre a Índia e Portugal e recorda-nos que o oceano une muito mais do que divide.” FOTO: Embaixada da Índia

A chegada de Vasco da Gama à Índia, em 1498, uniu ambos os países numa relação marítima que fomentou intercâmbios duradouros nas áreas da arquitetura, gastronomia, língua, erudição e conhecimento marítimo. Assim, hoje, o INS Sudarshini não atraca numa costa desconhecida; a sua viagem presta homenagem às antigas tradições marítimas e articula a visão indiana do MAHASAGAR (Mutual and Holistic Advancement for Security and Growth Across Regions, ou Avanço Mútuo e Holístico para a Segurança e o Crescimento entre Regiões).

A Índia encara o Oceano Índico e os espaços marítimos circundantes como regiões de paz, segurança e prosperidade inclusiva. Portugal, com a sua orientação atlântica, forte tradição naval e adesão à UE e à NATO, tem importantes interesses marítimos. Ambos partilham interesses comuns, incluindo a segurança marítima e a salvaguarda de infraestruturas submarinas críticas. Ambos partilham também preocupações relativamente a atividades como a pirataria, a pesca ilegal e o tráfico de armas e drogas. Uma vez que o comércio global continua a depender, de forma esmagadora, de rotas marítimas seguras, as nações reconheceram a importância de abordagens colaborativas em matéria de segurança marítima e liberdade de navegação, valores que ambos os países defendem.

Os visitantes que embarcarem no navio verão não só um veleiro magnificamente conservado, mas também uma representação viva da crescente confiança e aspirações marítimas da Índia. O navio transporta o espírito duradouro da exploração marítima e a lembrança intemporal de que os oceanos continuam a ser um dos maiores espaços partilhados da Humanidade.

A visita do INS Sudarshini reafirma a relação histórica entre a Índia e Portugal e recorda-nos que o oceano une muito mais do que divide. Motivo de regozijo: o navio cumprimentou também o seu “irmão”, o navio-escola Português NRP Sagres, em Ponta Delgada e em alto mar, durante um exercício de passagem (PASSEX).

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