A diplomacia das cidades, consolida a transição dos governos locais e regionais de meros executores de políticas nacionais para atores políticos e económicos autónomos no ecossistema global. No século XXI, a complexidade dos desafios globais – como as alterações climáticas, a mobilidade, as transições tecnológicas, a habitação, a revitalização dos centros históricos – transformou os territórios locais na linha da frente da governação moderna.
A internacionalização e a troca de experiências entre diferentes cidades – independentemente da sua dimensão – vão muito além da mera formalidade, funcionando como ferramentas estratégicas de diplomacia urbana. Ao atuarem no palco internacional, os municípios exercem um soft power que atrai investimento estrangeiro, fortalece a sua reputação internacional, facilita o acesso a financiamento internacional e acelera a adoção de tecnologias inovadoras para impulsionar o desenvolvimento socioeconómico e a modernização do território.
A recente missão institucional da delegação do Município de Coimbra ao Rio de Janeiro, no âmbito do Congresso Internacional do Mercado Imobiliário (CIMI 360) e complementada por reuniões com a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Consulado-Geral de Portugal no Brasil, traduziu na prática esta visão estratégica de diplomacia urbana aplicada a desafios concretos para Coimbra e para a Região Metropolitana de Coimbra:
Participação no CIMI 360 e Atração de Investimento: participamos em painéis de debate de referência internacional, apresentando a estratégia de transformação urbana de Coimbra. O objetivo focou-se em posicionar a cidade como um território de excelência para a inovação e o investimento, dando a conhecer projetos estruturantes como o Sistema de Mobilidade do Mondego (Metrobus), a futura ligação ao comboio de alta velocidade, a intermodalidade nos transportes, o combate aos edifícios devolutos e a habitação acessível através dos mecanismos de como a suspensão parcial do PDM, entre outros assuntos;
Transferência Tecnológica no Centro de Operações e Resiliência (COR): o COR, desenvolvido desde 2010 sob a visão do prefeito Eduardo Paes, é um dos centros de inteligência urbana e gestão em tempo real mais avançados da América Latina, integrando dados de mais de 30 órgãos municipais e forças de segurança num único painel operacional com algoritmos preditivos.
A visita confirmou que a centralização de dados e a gestão preditiva representam o caminho para Coimbra e a sua região se tornarem territórios mais seguros e resilientes perante fenómenos meteorológicos extremos – tema que reforçámos na nossa intervenção no CIMI 360 ao abordar a gestão do Rio Mondego e a resposta dos municípios às calamidades de fevereiro passado, onde a articulação institucional, o planeamento, a comunicação e as operações no terreno (evacuações, corte de estradas, encerramento de escolas…), com foco nas pessoas, foram determinantes;
Revitalização Urbana (Reviver Centro): reunião com a secretário municipal de Desenvolvimento Económico, Osmar Lima, para analisar o programa Reviver Centro, centrado na regeneração do núcleo histórico através de incentivos fiscais, conversão de escritórios em habitação (retrofit) e investimentos no espaço público, princípios que alimentam diretamente a estratégia coimbrã para a Alta, a Baixa/Rua da Sofia e as frentes ribeirinhas do Mondego;
Gestão do Espaço Público e Segurança Urbana: reunimos igualmente com a secretário municipal de Ordem Pública da Prefeitura do Rio, Marcus Belchior, dedicado à coordenação operacional, fiscalização e políticas de segurança, para garantir uma cidade organizada e pacificada. Explicou-nos as mudanças que têm sido implementadas para tornar o Rio mais seguro, mais limpo e mais vivido.
Diplomacia Económica, Cultural e Parcerias Estratégicas: fizemos também uma passagem pelo Consulado-Geral de Portugal, fomos recebidos pela embaixadora e cônsul-geral Joana Gaspar, que nos falou da presença portuguesa no Rio e nos proporcionou uma visita ao histórico Real Gabinete Português de Leitura e ao Museu do Amanhã (projetado por Santiago Calatrava).
A missão culminou com a assinatura de um Acordo de Cooperação de dois anos com o CIMI 360 para a atração mútua de investimento e divulgação conjunta do setor imobiliário.
Através destes contactos práticos, Coimbra reafirma que a aprendizagem mútua com metrópoles globais enriquece as políticas locais, permitindo importar soluções inovadoras, captar investimento e projetar a cidade internacionalmente como um polo dinâmico, sustentável e resiliente.