2027: Ano de alterações nas lideranças partidárias do PS e PSD?

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Da leitura do título deste artigo os leitores perguntarão porque “carga de água” poderá haver alterações nas lideranças socialistas e social-democratas em 2027?

A resposta é porque há sinais disso mesmo, nomeadamente a má prestação do governo e a incapacidade de afirmação de José Luís Carneiro. No PS, ainda que sob as vestes de independente, Mário Centeno tem ligações às estruturas do PS e pode aspirar a liderança dos socialistas. E não dispensa uma presença semanal num canal televisivo. Centeno, campeão das portas giratórias institucionais quando passou de ministro das Finanças para Governador do Banco de Portugal. Centeno foi o Ronaldo das cativações, quando o investimento público caiu a pique. De facto, numa comparação com o governo de Passos Coelho, de 2011 a 2015, o investimento público foi de 2,48% do PIB. Com Centeno como ministro das Finanças, de 2015 a 2020, o investimento foi de 1,76% do PIB. Orçamentava a 100%, executava a 37%. Conseguiu uma baixa do défice? Conseguiu. Mas veja-se como estão hoje os hospitais, os serviços do Estado, a Educação. Mas, malgré tout, Centeno parece ter aspirações à liderança socialista. Isto porque José Luís Carneiro tarda em apresentar um projeto galvanizador para o país que o estabilize na liderança socialista.

Quanto ao PSD é manifesto que Luís Montenegro não conseguiu inverter o ciclo de estagnação em que o país está mergulhado nas últimas décadas. E não conseguiu sobretudo porque não construiu uma maioria parlamentar que lhe possibilitasse fazer as reformas que o país necessita. Assim sendo, Montenegro tem Passos Coelho na “ilharga” com manifestos sinais de que este está a posicionar-se para a eventualidade de um possível regresso à liderança do PSD e do país. Em dezembro ficaremos a conhecer o estudo que está a ser desenvolvido por Passos Coelho a pedido da Associação Comercial do Porto, juntamente, com o seu presidente Nuno Botelho, e o socialista Sérgio Sousa Pinto. O estudo fará o diagnóstico da situação do país e as medidas consideradas mais importantes para inverter o ciclo de paralisia em que Portugal está.

E é um facto que desde 1999 o país cresceu apenas 1,1% ao ano, enquanto a União Europeia crescia 1,5% desde o mesmo ano. Isso traduz-se numa realidade em que o crescimento económico na União Europeia terá aumentado 49%, enquanto em Portugal esse crescimento não foi além dos 33%. Portanto, seja qual for a narrativa governamental, Luís Montenegro não teve o engenho e a arte a que se propôs na campanha eleitoral para retirar Portugal deste ciclo de estagnação em que nos encontramos há décadas e do qual não sairemos enquanto não surgirem líderes políticos com coragem para enfrentar os lobbies instalados e tomarem as medidas necessárias para impulsionar um crescimento do país em valores superiores aos que se verificam hoje.

Se olharmos para o nosso PIB per capita nominal de hoje ele situa-se na ordem dos 26 853 euros. Se tivéssemos crescido com valores idênticos aos da UE o nosso PIB per capita seria, hoje, de cerca 33.000 euros. Ou seja teríamos um PIB per capita superior em mais 25 % do que, atualmente, temos. Assim, o poder de compra dos portugueses está apenas em cerca de 80% da média europeia.

Desta maneira, com valores de baixa produtividade, Portugal ocupa a 18.ª posição no ranking da riqueza per capita dos 27 Estados da UE.

Portanto Montenegro dado não ter conseguido inverter esta situação tem Pedro Passo Coelho no espelho retrovisor. Quanto a José Luís Carneiro tarda em apresentar um projeto consistente e credível para o país e por via disso, tem Mário Centeno no retrovisor. Pode haver ultrapassagens em 2027. É possível que sim!.

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