Durante mais de um mês, o futebol ocupou os dias, condicionou horários, alimentou discussões e voltou a criar a ilusão de que, por umas semanas, quase tudo o resto podia esperar. Portugal sonhou enquanto esteve em prova, a Espanha terminou a competição como campeã e, depois da final, instalou-se o vazio que será particularmente curto.A Liga portuguesa regressa no fim de semana de 9 de agosto. Mal tivemos tempo para guardar as bandeiras das seleções e já voltamos às camisolas dos clubes, às contas do mercado, às dúvidas sobre os plantéis e às previsões sobre quem poderá festejar em maio.A nova época começa com o FC Porto na posição que todos querem ocupar. O Campeão Nacional entra em campo com a responsabilidade de defender o título e de demonstrar que o triunfo da última temporada não foi apenas o ponto alto de um ano feliz. Francesco Farioli passa a ser o treinador do campeão. Num futebol português permanentemente dependente das transferências, conservar os jogadores mais importantes pode ser tão decisivo como contratar reforços. O Benfica inicia uma nova etapa, agora sob o comando de Marco Silva. O treinador regressa ao futebol português com experiência acumulada no estrangeiro, mas encontra um clube onde não existem anos de transição. Na Luz, qualquer projeto começa com a obrigação de vencer. O Benfica precisa de recuperar o título e Marco Silva será avaliado desde o primeiro resultado. A sua primeira missão será devolver consistência a uma equipa que não pode continuar a alternar períodos de qualidade com momentos de inexplicável fragilidade. ."A liga portuguesa regressa no fim de semana de 9 de agosto. Mal tivemos tempo para guardar as bandeiras das seleções e já voltamos às camisolas dos clubes. A bola não para. E nós também não conseguimos deixar de falar dela.”.O Sporting parte novamente com Rui Borges, cuja ligação ao clube foi prolongada até 2028. A continuidade do treinador poderá ser uma das principais vantagens dos leões, sobretudo num início de época marcado pelo pouco descanso de vários jogadores e pela necessidade de integrar rapidamente eventuais reforços. O Sporting já demonstrou que tem uma identidade competitiva e uma estrutura capaz de lutar pelos principais títulos. Falta perceber como responderá às mudanças do plantel e ao desgaste de uma temporada que voltará a ser longa.Também será importante perceber o impacto que o Mundial deixará nos jogadores. Muitos regressam com poucos dias de descanso, outros chegam valorizados e alguns trazem a frustração de uma eliminação que ainda não tiveram tempo de digerir. Há depois o mercado, esse campeonato paralelo que começa antes da 1.ª jornada e raramente termina quando fecha a janela de transferências.É nos clubes que se alimentam as paixões mais antigas que se herdam rivalidades e que se vive o futebol sem a distância dos grandes torneios. O Mundial acabou. A Espanha levou a Taça. A bola não para. E nós também não conseguimos deixar de falar dela.