Messi e Yamal: quando o destino parece mesmo estar traçado

Pedro Sequeira

Editor-executivo do Diário de Notícias

Publicado a

É uma imagem que demonstra bem como a vida é uma caixinha de surpresas. Em 2007, o jornal catalão Sport, a fundação do Barcelona e a UNICEF, a agência das Nações Unidas para a defesa e promoção dos direitos das crianças, uniram-se para promover um calendário beneficente, no qual vários jogadores dos blaugrana eram fotografados a cuidar de bebés. Um desses futebolistas foi Lionel Messi, então com 20 anos, e já uma estrela da formação catalã. Uma talento precoce do Barcelona que deixou a Argentina ainda menino para fazer a formação na famosa La Masia, academia do Barcelona dedicada ao futebol jovem.

O fotógrafo Joan Monfort captou então a imagem de Messi a dar banho a um menino que ainda não tinha sequer 1 ano de idade, escolhido através de um sorteio. Esse menino da foto, hoje com 19 anos, é Lamine Yamal. Como Messi, também ele tomou o gosto pelo futebol desde pequeno. Também ele cedo foi encarado como uma criança prodígio no futebol. Tabém ele fez toda a formação em La Masia. Também ele se estreou ainda adolescente (apenas 15 anos) pela equipa principal do Barcelona. Também ele se tornou a estrela irreverente não só do clube como da seleção do seu país, a Espanha. E agora, também ele, vai pisar o maior palco do futebol mundial, o da final do Campeonato do Mundo, para tentar chegar ao título mais desejado por qualquer jogador, precisamente frente ao homem que há duas décadas o segurava ao colo...

Se o conseguir, logo na primeira final do primeiro Mundial que disputa, Yamal baterá até o registo de Messi, que precisou de cinco tentativas para, em 2022, no Qatar, após um desempate por grandes penalidades frente à França, conseguir segurar o troféu, quando já tinha 35 anos.

Mas não será tarefa fácil para o jovem extremo do Barcelona e restantes companheiros da afinada La Roja de Luis de la Fuente. A Argentina, mesmo debaixo de polémica sobre alegados favorecimentos da arbitragem neste Mundial, tem mostrado uma fome de vencer incansável, como se viu ao anular desvantagens, ainda no tempo regulamentar, frente ao Egito (de 0-2 para 3-2) nos oitavos-de-final e perante a Inglaterra (0-1 para 2-1) nas meias-finais, ao que se somam os triunfos arrancados no prolongamento nos encontros com Cabo Verde (3-2, 16-avos-de-final) e Suíça (3-1, nos quartos de final).

Essa garra começa logo no exemplo do capitão Messi. Aos 39 anos, o jogador do Inter Miami, vencedor de oito Bolas de Ouro (mais três que Cristiano Ronaldo), está a fazer o seu melhor Mundial de sempre. Leva oito golos, quatro assistências para golo (duas na reviravolta frente a Inglaterra), 713 minutos jogados e uma eficácia de 95% de passes certos.

O torneio em que procura o segundo título Mundial da carreira, superando Maradona e oferecendo à Argentina o 4.º da sua história (os mesmo de Alemanha e Itália e menos um do que o Brasil), deverá ser também o último de Messi, um dos maiores génios da história do futebol, senão mesmo o maior. Por isso, domingo, a partir das 20h00, há que aproveitar para saborear cada minuto na inédita final Argentina-Espanha. Para testemunhar a consagração total de Messi ou ver o bebé Yamal herdar, em definito, o estatuto de sucessor do camisola 10, cumprindo assim o destino que, aos olhos de hoje, lhe parecia estar traçado desde que há duas décadas o astro argentino o segurou ao colo.

Diário de Notícias
www.dn.pt