Hoje estava a pensar numa estratégia de saúde em contexto laboral em que a Men’s Health pudesse colocar o know-how da equipa de personal trainers e nutricionistas a colaborar com as empresas portuguesas. Comecei a pesquisar sobre formas de execução e vantagens para as mesmas. Deparei-me com um estudo da Leeds Metropolitan University que, apesar de já ter sido publicado em 2008, traz luzes importantes ao tema.
Foram acompanhados 201 trabalhadores de três empresas com ginásio próprio e foi feita uma comparação pertinente: o desempenho profissional nos dias em que treinaram no local de trabalho e nos dias em que não o fizeram. E foi efetuada uma autoavaliação. Nos dias de treino, os funcionários avaliaram-se melhor na gestão do tempo, no cumprimento do que lhes era pedido e na relação com os colegas, cerca de 15% acima, e disseram sentir menos cansaço depois do almoço.
Aqui mostra-se claramente que os dias em que treinavam corriam melhor do que os dias em que não treinavam. Portanto, isto também tem a ver com negócio e, a partir de agora, dirijo-me diretamente aos administradores, chefes, patrões, a quem tem o poder de decidir...
A maioria das pessoas que trabalha para si passa o dia sentada, almoça à pressa e chega às 5h00 da tarde sem energia. Pode mudar isso, e a empresa tem meios que um trabalhador sozinho não tem: espaço, orçamento e controlo sobre a agenda. Três decisões concretas. Primeiro, um espaço de treino na empresa, com aulas a horas fixas e um instrutor certificado, aberta a todos e não só a quem já pratica desporto. Segundo, tempo para treinar na agenda de cada pessoa, marcado com a mesma prioridade de uma reunião, porque um ginásio que ninguém tem tempo para usar não serve para nada. Terceiro, a cantina: se já gasta dinheiro a dar refeições aos trabalhadores, sirva comida que os deixe com energia à tarde, em vez de fritos e sobremesas açucaradas todos os dias.
Há razões de negócio para o fazer. Trabalhadores com mais energia, melhor humor e melhor relação com os colegas rendem mais e ficam mais tempo na empresa. A lei portuguesa prevê fiscalidade favorável para despesas como as cantinas e outras realizações de utilidade social, desde que cumpridas as devidas condições. Lembrei-me de lhe sugerir que desafie o seu departamento de contabilidade a pensar no tema.
Proponho-lhe um teste de três meses. Escolha uma equipa ou desafie a empresa toda. Marque três treinos por semana na agenda de cada pessoa, com a mesma prioridade de uma reunião com um cliente, e mude o que a cantina serve. Antes de começar, registe a participação, a satisfação e o que essas pessoas dizem sobre o ambiente e a iniciativa. No fim de três meses, compare. Se o resultado se aproximar do que os trabalhadores de Leeds relataram, passa a ter números seus para mostrar que cuidar de quem trabalha melhora muito o contexto laboral e o desempenho, e pode defendê-los perante qualquer administrador ou acionista. Se não se aproximar, gastou pouco, mas ficou a saber muito sobre a sua empresa. De certeza que já aprovou orçamentos para formação, eventos e consultoria com resultados bem mais incertos do que estes. Este teste custa pouco, demora três meses, dá-lhe uma resposta e revela preocupação. E inova também. Temos acordo?