Estávamos em novembro de 2019, no dia 2, para ser mais exato, quando o Eintracht Frankfurt, fundado em 1899, escreveu uma das páginas mais brilhantes da sua centenária história. Aos 85’, os mais de 51 mil adeptos presentes na Commerzbank Arena viram a cereja ser colocada no topo do bolo, quando a equipa da casa celebrou uma mão cheia de golos frente ao hegemónico Campeão Alemão, o Bayern Munique. O lance do 5-1 teve como protagonistas dois rapazes com muita coisa em comum.
Dois pontas-de-lança, internacionais por Portugal, formados no Olival e que cumpriram o sonho de se estrear pela equipa principal do FC Porto antes de saírem do país. Na altura, coube a André Silva fazer o passe para Gonçalo Paciência bater o gigante alemão Manuel Neuer pela quinta vez naquela noite de pesadelo para os bávaros, sendo que no balanço final da temporada, a única em que partilharam balneário, o primeiro somou 16 golos em todas as competições pelo Eintracht Frankfurt, mais cinco que o segundo.
Na época seguinte, Paciência rumou ao Schalke 04, enquanto André Silva viveu a sua melhor temporada de sempre, com 28 golos na Bundesliga. Na corrida pelo troféu de Melhor Marcador do Campeonato Alemão, só seria superado pelo polaco Lewandowski (41 golos), então na fase prime da carreira, ficando, no entanto, à frente (mais um golo) de um tal Erling Haaland, naquela que foi a época mais produtiva das três que o norueguês somou ao serviço do Borussia Dortmund, antes de rumar, com todo o sucesso que se sabe, ao Manchester City.
Seis temporadas após aquela parceria bem-sucedida na Alemanha, os dois estão de novo sob os holofotes mediáticos, mas agora na Liga portuguesa.
André Silva, aos 30 anos, voltou à casa-mãe e está numa corrida contra o tempo para comprovar que merece continuar a ser a aposta de Farioli para o onze do FC Porto, mesmo quando Samu, o previsível titular no ataque, regresse da longa paragem por lesão que o afetou. Para já, tem um golo no campeonato (o primeiro dos portistas na prova), mas tem sido importante, até em missões defensivas, na manobra da equipa Campeã Nacional, que segue invicta na Liga e com a baliza inviolável.
Já Gonçalo Paciência, 32 anos, filho de Domingos, uma referência portista da década de 1990, vive um momento de sonho no Santa Clara. O atacante tem quatro golos. Marcou em todos os jogos dos açorianos no campeonato. E os seus quatro remates certeiros são também todos os golos que a equipa de Petit conseguiu até ao momento.
As duas crias dos escalões de formação do FC Porto fizeram a maior parte da carreira no estrangeiro, com passagens pelas principais ligas europeias, as Big Five – no caso, têm Alemanha e Espanha em comum, tendo André Silva também disputado a italiana pelo AC Milan. Certo é que a experiência internacional que carregam são uma mais-valia para os seus clubes e para a liga nacional. Até porque estão a demonstrar que veterania não é sinónimo de quebra de desempenho, bem pelo contrário.
Acompanhar a prestação destes dois atacantes é um bom motivo para seguir com atenção este fim de semana desportivo. Seja a partir do seu sofá, ou no estádio, há sempre boas histórias para aguçar o apetite de quem ama o desporto.