Abriu a época de entrega do IRS, de simular o reembolso e de se planear, nos casos em que tenha a receber, o que fazer com esse dinheiro. No ano passado, metade dos contribuintes que entregaram declaração de IRS tiveram direito a reembolso e, em média, cada um recebeu 997 euros. Este ano, o valor deverá ser semelhante ou até um pouco superior. O destino a dar ao reembolso depende dos objetivos e da situação financeira de cada um. A devolução do imposto pode ser uma oportunidade para equilibrar o orçamento familiar, fazer face a despesas ou mesmo de reforçar a poupança..Abater dívidas caras.Num cenário de baixas taxas de juro nas aplicações financeiras mais recentes, uma boa forma de aproveitar o reembolso é, se for o caso, reduzir o montante em dívida que tenham juros elevados. O crédito pessoal, os cartões de crédito e os descobertos bancários são dos que têm taxas mais elevadas. Este trimestre, nos novos empréstimos deste tipo, as taxas máximas permitidas pelo Banco de Portugal variam entre 13,6% (crédito pessoal sem finalidade) e 15,9%. A título de exemplo, amortizar um empréstimo de mil euros com estas taxas permitiria poupar mais de cem euros ao fim de um ano. Existem simuladores disponíveis em sites, como os da Deco, por exemplo, que permitem calcular as poupanças com amortizações de crédito..Reforçar o orçamento.Uma das regras de ouro na gestão das finanças pessoais é dispor de uma poupança que possa ser utilizada quando surjam despesas imprevistas. Essa reserva deve ter o valor correspondente às despesas de, no mínimo, três meses. O valor do reembolso pode ser uma boa forma de criar ou de reforçar essa reserva de segurança. E até assegurar algumas despesas fixas ao longo do ano, como impostos, seguros ou o regresso às aulas..Depósitos e certificados.Tentar rentabilizar o reembolso de IRS através de depósitos pode ser uma tarefa difícil, dadas as baixas taxas de juro oferecidas pelos bancos. Pode ser uma forma segura de guardar o dinheiro, mas não de o fazer crescer. Os depósitos com juros mais atrativos não vão muito além de taxas líquidas de 0,40%. Aplicar mil euros num produto desse tipo renderia quatro euros ao fim de um ano. Outra aplicação financeira conservadora e com garantia de capital são os certificados de poupança do Estado, que podem ser subscritos em montantes a partir de mil euros. O Tesouro fez alterações a estes produtos que resultaram em juros mais baixos. Os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento têm uma taxa líquida de 1% se forem detidos durante sete anos (um pouco mais se o PIB crescer a partir do segundo ano da aplicação). Têm juros que vão crescendo de ano para ano. Nos primeiros 12 meses a taxa líquida é um pouco acima de 0,5%. Já os certificados de aforro têm uma taxa líquida de 0,45%, a que acrescem, a partir do segundo ano, prémios de permanência..Fundos de investimento.Outra das formas de tentar colocar o dinheiro a render é através de fundos de investimento, que permitem aplicar o dinheiro desde ativos mais seguros a investimentos mais arriscados. A partir de pequenos valores é possível ganhar exposição a quase todos os ativos, desde depósitos a dívida de curto prazo ou a bolsas de países emergentes em produtos que têm gestores profissionais. Existe uma oferta alargada, em que se incluem também planos poupança-reforma. Mas antes de escolher um produto deste tipo convém definir o seu perfil de risco, para escolher um produto que se adeque ao objetivo. Os fundos têm de indicar a que tipo de investidores se destinam e a maioria dos produtos não garante capital, o que pode acarretar perdas.