O que é que a mini tem?

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Nos anos 70, quando foi criada, a mini - a garrafa de cerveja de apenas 20 centilitros - o seu consumo estava praticamente confinado aos meios rurais e ao interior do país. Hoje, quase 30 anos depois, o consumo alastrou-se às cidades e ao litoral urbano e é o formato que mais cresce em todo o mercado nacional. Em declarações à Lusa, Nuno Pinto Magalhães, director de comunicação da Central de Cervejas, adiantou que há cerca de quatro anos, este segmento de mercado representava um consumo de cerca de 815 mil hectolitros. Hoje, os dados apontam para consumos de cerca de 1,2 milhões de hectolitros, ou seja, 27% do total das vendas de cerveja em Portugal. Isto significa que neste período, e em volume, "a mini aumentou a sua relevância no mercado em cerca de 49%", disse o mesmo responsável da Central de Cervejas, a empresa que produz a Sagres e que inventou a mini.Também na Super Bock, cujo produto é mais recente, o consumo de minis está a crescer e de acordo com o director de marketing de cervejas da Unicer, João Esteves, a mini de abertura fácil - a mais recente novidade da marca neste segmento - já vendeu cerca de 63 milhões de litros. Apesar da "guerra" natural que existe entre as duas empresas, a verdade é que ambas têm contribuído para que a mini passasse a ser consumida à escala nacional. A Sagres apresenta-se como responsável pelo aumento de consumo graças à estratégia de tornar o produto num "ícone de moda e de cariz também urbano". A empresa apostou num público urbano, entre os 18 aos 45 anos, e usou como cara da mini a apresentadora de televisão Rita Andrade. Já a Super Bock chama a si a mais valia de ter introduzido a abertura fácil na pequena garrafa. Além disso, hoje já não há apenas um tipo de mini. Além da de abertura fácil, há mini preta, tanto na Sagres como na Superbock e há mini de 20 e de 25 centilitros. Antigamente, era apenas cerveja branca, de 20 centilitros, que só abria com a ajuda de um abre-latas. A procura pelas minis aumenta mas, no geral, o consumo de cerveja está a cair. Numa recente apresentação à imprensa, o presidente da Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja, Pires de Lima, estimou que o consumo deve cair 5% este ano. No ano passado a quebra já foi de 3%, descendo de um consumo total de 610 milhões de litros em 2009, para os 590 milhões de litros em 2010, o que faz antever uma quebra de 8% em apenas dois anos. Pires de Lima explicou que a situação se deve ao tempo mais frio, mas principalmente à quebra do consumo fora de casa, já que em casa ( comprada nos hipermercados) tem-se "mantido estável". Contudo, a Nielsen, empresa de estudos de mercado, avança que na primeira quinzena de Julho a cerveja vendida nas grandes superfícies caiu 14% face ao período homólogo, o que representa uma quebra de 11%no valor de vendas. As duas cervejeiras estão agora à espera que o tempo aqueça para que se estimule o consumo. É que o Verão é determinantes para estas empresas, representando cerca de 40% das vendas anuais.

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