Um país para turista ver

Promovidos como destinos baratos e autênticos, Lisboa e Porto têm atraído, nos últimos anos, milhões de turistas que enchem hotéis, apartamentos e restaurantes, motivam o aparecimento de novos negócios e permitiram a sobrevivência de muitos portugueses durante a crise. Mas há quem aponte o outro lado da moeda e se queixe de que as cidades estão a esquecer quem lá vive e de que o emprego criado pelo turismo é precário. Cara ou coroa?

Corsários de sarja, sandálias confortáveis, pequenas bolsas presas à cintura. Paulo Lúcio e Anne Cherry estão de férias em Portugal e parecem-se com as dezenas de outros turistas que se demoram junto ao miradouro do Chão do Loureiro em Lisboa para apreciar uma vista panorâmica sobre a Baixa e o rio Tejo antes de continuar o passeio até ao Castelo ou de descer até à Rua da Madalena. Mas o casal, que vem de Paris, não é bem como todos os outros.

Paulo nasceu há 42 anos em França, filho de portugueses emigrados no país desde 1971. Apesar de nunca ter vivido em Portugal, conhece bem Lisboa, cidade que visitou dez vezes nos últimos vinte anos. Tempo suficiente para dar conta de todas as mudanças. Anne, que visita Lisboa pela quarta vez, junta-se ao parceiro na enumeração. Os tuk tuk, as obras que vão transformando a cidade, os prédios que vão sendo reabilitados, as noites passadas num Airbnb e já não num hotel, os restaurantes baratos e tradicionais que são agora mais difíceis de encontrar. «Talvez a autenticidade esteja a desaparecer um pouco, mas é assim em todo o lado», diz Paulo.

Continue a ler esta reportagem na Notícias Magazine.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG