Bancos portugueses “adoram o nosso Imposto de Renda”, diz brasileiro que trabalha no mercado de luxo
Foto: Paulo Spranger

Bancos portugueses “adoram o nosso Imposto de Renda”, diz brasileiro que trabalha no mercado de luxo

CEO da Piquet Realty Portugal analisa o mercado atual e fala da facilidade que brasileiros têm para investir no país. Tendência no imobiliário de alto padrãoé de crescimento em 2026..
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Num contexto internacional de fortes incertezas econômicas e políticas, Portugal tem chance de “sair ainda mais forte”. Esta é a nálise de Marlos Gonçalves, brasileiro, fundador e CEO da Piquet Realty Portugal, uma mediadora imobiliária focada em investimentos de alto padrão. Atuando no país desde 2019, Marlos tem acompanhado o peso significativo que os investimentos brasileiros têm na economia portuguesa, que fazem com que haja alterações no padrão de construção dos empreendimentos premium, com a criação de, entre outros, mais espaços de conforto e lazer nos condomínios, até a criação de um ecossistema financeiro positivo para este tipo de cliente.

“Os bancos aqui gostam de dar financiamento para um cliente brasileiro que tenha capacidade”, afirma. Para 2026, ano eleitoral no Brasil, a perspectiva é a de que o setor imobiliário local ganhe com “a insatisfação de parte dessa comunidade”, que deverá optar por investimentos no exterior mobilizada pelo descontentamento com qualquer que seja o resultado das eleições de outubro.

Sempre foi a ideia focar em imóveis de alto padrão em Portugal?

A gente sempre quis ter o que tem de melhor em termos de produtos e de experiência nos mercados que a gente está. Tanto Cascais quanto Lisboa. Trabalhar com o que tem de premium, de forma diferenciada dos mercados que a gente está.

E como tem sido a evolução do premium nesses anos, quem compra estes imóveis?

A primeira grande onda, acho que foi os chineses, por causa do Golden Visa. Então não tinha muita necessidade de ser um produto específico, era um produto que desse o Golden Visa. Depois começou a vir a onda dos brasileiros, os europeus, muito em função do RNH (Regime dos Residentes Não Habituais), e aí você começa a ter uma necessidade de produtos um pouco diferenciados para atender essas comunidades. Falando do brasileiro, acho que talvez seja o que tem algumas características muito diferentes daqui. Quarto de empregada você até tinha, mas em alguns apartamentos mais antigos, no passado. Áreas comuns, áreas abertas, áreas gourmets, e no início isso era difícil até de você convencer os developers que isso era importante.

Existe esse foco específiconas características para atender brasileiros?

Eu não diria que é feito para captar o cliente brasileiro, mas é feito com um DNA brasileiro. Tem alguns developers aqui, por exemplo, que são brasileiros. Acho que eles também têm um pouco da responsabilidade de ter trazido esse conceito da cozinha gourmet, da área gourmet na varanda, as amenities no condomínio. Começa-se a dar mais valor também a questão de alguma segurança nos prédios, você ter porteiro 24 horas, que não é só pela segurança, mas é pela entrega que você precisa ter, pela comodidade.

Esse cliente já está em Portugal ou está fora?

Tem o primeiro cliente, que é o que chegou e veio testar Portugal, se apaixonou e hoje sabe que vai ficar mais tempo. A gente tem muito cliente brasileiro que chega e fala ‘eu não quero gastar 10 milhões de euros numa casa, que é muito dinheiro’. Aí ele vai e aluga uma casa de 30, 40 mil euros por mês para testar. E muito rapidamente ele se encanta. E aí quando ele se encanta, o cliente que tá disposto pra pagar 10 milhões, ou 15, ele quer tudo do jeito dele, né?

É fácil investir em Portugal?

O brasileiro de alta renda sempre olhou para investir fora do Brasil nos Estados Unidos. E aí você tem algumas diferenças muito fortes. Nos EUA você tem que montar uma empresa porque se você morrer, por exemplo, a herança nos Estados Unidos é tributada de uma forma muito forte. Você tem o custo de montar a empresa, depois tem o contador que você tem que pagar todo ano, o advogado... já tem o custo inicial. Segundo, o condomínio de qualquer apartamento T2 ou T3 em Miami vai custar 2, 3 mil dólares por mês.Terceiro, financiamento nos Estados Unidos você até consegue, mas não é fácil. Aqui, para um brasileiro, mesmo residente no Brasil, é muito simples. Os bancos até adoram o nosso Imposto de Renda, porque dá a dívida, dá a renda e dá patrimônio, enquanto que o IRS de Portugal você só mostra a sua renda, lá no Brasil você mostra a vida inteira. Então, os bancos aqui gostam de dar financiamento para um cliente brasileiro que tenha capacidade.

Os brasileiros continuam querendo vir para Portugal? Qual é a perspectiva para 2026?

A gente está acreditando que vai ser um mercado muito aquecido. Vamos ter mais um ano de eleições no Brasil e é um ano clássico de insatisfação de parte dessa comunidade. Eu gostaria que o Brasil estivesse vivendo um momento mais tranquilo, mas para o meu negócio se ganha um, ou se ganha o outro, vai ser sempre bom o ano de eleição, ou logo depois, porque existe sempre quem está descontente com o que aconteceu. Esses movimentos também de guerra, no primeiro momento travam. Sempre que você tem algum tipo de incerteza, as pessoas se paralisam, mas de todos os últimos movimentos que a gente teve de guerra, Portugal sempre saiu mais forte. Quando teve guerra da Ucrânia e Rússia, isso aqui encheu de ucraniano, de russo. poloneses, quem estava ali próximo. Portugal mais uma vez tem uma oportunidade de sair ainda mais forte de uma crise que está acontecendo hoje.

caroline.ribeiro@dn.pt

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Este texto está publicado na edição impressa do Diário de Notícias desta segunda-feira, dia 13 de abril.
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