Venezuelanos em Lisboa pedem "posição firme" do governo português

Cerca de uma centena de pessoas reuniram-se frente à estátua de Simón Bolívar, na Avenida da Liberdade, para protestar contra a eleição da Assembleia Constituinte na Venezuela.

"Marcelo, amigo, une-te à luta", gritaram hoje cerca de uma centena de pessoas numa manifestação em Lisboa contra a eleição para a Assembleia Constituinte na Venezuela. Venezuelanos e luso-venezuelanos pedem uma "posição firme" do governo português e uma declaração oficial do executivo ou do presidente Marcelo Rebelo de Sousa "contra o regime de Nicolás Maduro".

A manifestação decorreu na Avenida da Liberdade, junto à estátua de Simón Bolívar, o venezuelano que se tornou no libertador das Américas ao liderar as lutas da independência na Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Panamá.

"O filho de um grande amigo meu foi morto nas manifestações, outro grande amigo está preso, outra amiga minha esteve presa... só por protestar. Eu não posso deixar de vir protestar. É a minha obrigação. Entristece-me muito ver a falta de uma posição oficial do governo português, a falta de um interesse real do governo português, a atitude doente de alguns partidos políticos portugueses. E não pode ser", disse ao DN o luso-venezuelano Gustavo Hernandez, há dez anos em Portugal.

"Pedimos duas coisas a Portugal. Uma é que mostre solidariedade e haja um comunicado do governo português, oficial, contra o regime da Venezuela. Outra é a abertura de um canal humanitário para os portugueses que estão lá e que querem sair. Se há negócios ou não entre Portugal e a Venezuela, acho que chegou a altura de pensar um pouco mais em nós, nas pessoas, do que no dinheiro", afirmou Christian Höhn, responsável da Associação Civil de Venezuelanos em Lisboa - Venexos, que organizou o protesto em Lisboa, em simultâneo com Porto e Faro.

A Venezuela elege hoje os 545 membros da Assembleia Constituinte, convocada por Maduro, que irá reescrever a Constituição do país. Para o presidente é a única forma de garantir a paz, mas para a oposição é apenas uma forma de se agarrar ao poder.

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