Zapatero congratula-se com libertação de presos e fala em esperança de paz

O antigo presidente espanhol e um dos mediadores do diálogo na Venezuela, José Luis Zapatero, considerou que a libertação de mais de 80 presos, detidos por participação em ações de protesto, "fortalece a esperança para um acordo de paz".

"É um importante passo e fortalece a esperança de um acordo de convivência democrática e de paz para a Venezuela", defendeu hoje José Luis Zapatero em comunicado.

A Comissão para a Verdade, Justiça, Paz e Tranquilidade Pública, estrutura da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela para investigar a violência, recomendou hoje a substituição da pena de mais de 80 presos para punições como trabalho comunitário.

Salientando a sua "satisfação pela decisão", o antigo governante adiantou que a recomendação da Assembleia Nacional Constituinte dá sinais de uma possível "reconciliação e de paz" no país.

Em declarações aos meios de comunicação locais, a presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou no sábado que a recomendação já foi feita aos "distintos órgãos do sistema de justiça penal" e ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

A responsável disse esperar que a medida se concretize "nas próximas horas", revelando que, enquanto alguns dos presos beneficiarão de medidas preventivas alternativas, outros propuseram-se a "formas alternativas de justiça".

Em causa está, por exemplo, a condenação a "trabalho comunitário para pessoas que já foram condenadas", precisou Delcy Rodríguez, considerando esta é uma "forma de compensação para a vítima -- trate-se de uma pessoa ou da sociedade em geral".

A Comissão para a Verdade, Justiça, Paz e Tranquilidade Pública está, por isso, a preparar os procedimentos para tratar destas substituições de pena "nos próximos dias", apontou.

Em 2014 e em meados deste ano, a Venezuela passou por vagas de protestos contra o Governo, que provocaram mais de 150 mortos, entre os quais apoiantes do regime, mas essencialmente da oposição.

Foram ainda detidas centenas de pessoas e registaram-se danos avaliados em milhões de dólares.

Um dos detidos nos protestos de 2014 foi o líder do movimento político da oposição Voluntad Popular, Leopoldo López, que no ano seguinte foi condenado a quase 14 anos de prisão por ter provocado distúrbios numa das manifestações contra o Governo, em que morreram três pessoas.

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